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	<title>Cartas &#8211; Cardinal Partners</title>
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	<description>O valor do seu investimento</description>
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	<title>Cartas &#8211; Cardinal Partners</title>
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		<title>Carta Cardinal 18 &#8211; INTER: LIGANDO ESTRATÉGIA E VANTAGENS COMPETITIVAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cardinal Partners]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2020 15:01:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
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					<description><![CDATA[Apresentamos nesta carta nossa visão positiva sobre Inter, um de nossos investimentos atuais. Acreditamos que sua estratégia é bem concebida e vem construindo vantagens competitivas. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="vc-row">
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<div class="column">
<p>Apresentamos nesta carta nossa visão positiva sobre Inter, um de nossos investimentos atuais. Acreditamos que sua estratégia é bem concebida e vem construindo vantagens competitivas. Em síntese, ela consiste na criação de um ecossistema integrado, combinando a espinha dorsal de serviços financeiros com um <em>marketplace</em> de varejo num ambiente todo digital de um <em>Super App</em>. Vemos uma grande oportunidade de <em>cross-sell</em> desse <em>one-stop-shop</em> digital. É isso que permitirá a monetização do cliente, criando vínculo potencialmente forte com ele. Em outras palavras, criando e explorando vantagens competitivas.<br />
Antes de detalharmos essa opinião, apresentamos de maneira consolidada os conceitos que usamos sobre o que são estratégia de negócio e vantagem competitiva, bem como a relação entre ambas, que em parte já mencionamos em cartas passadas.</p>
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<div class="column">
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">O que é estratégia?</span></strong></p>
<p>Estratégia consiste em criar, manter e explorar vantagens competitivas, entendidas como aquilo que a empresa faz que os competidores não conseguem replicar<a href="#1"><strong><sup></sup></strong></a>. Para isso, ela precisa ter dois componentes: (1) definir aonde se quer chegar, pela identificação dos fatores críticos (problemas a solucionar, obstáculos e ameaças a superar ou oportunidades a capturar); e (2) elaborar ações encadeadas que mostrem o caminho a seguir.</p>
<p>Na sua essência, a boa estratégia envolve ser diferente: ter uma atividade diferente da de seus concorrentes, ou fazer a mesma atividade daquela de seus rivais de maneira diferente. A boa estratégia é que cria vantagens competitivas. Ela consiste também em fazer escolhas, definindo o que não fazer, os “nãos estratégicos”.</p>
<p>Estratégia, por definição foca para fora, para o mercado, para a ação e a resposta dos competidores. Competição não é só uma batalha pela força ou tamanho, mas sim por <strong><em>insights</em> e círculo de competência</strong>. David (mais fraco) venceu Golias (mais forte) não pela força, mas pela precisão de atingir o ponto vital desprotegido deste.</p>
<p>O sinal de uma boa estratégia é quando a liderança da empresa é capaz de traduzi-la numa ideia única e simples, que servirá de princípio norteador para todas as decisões. É a “ideia porco-espinho”, baseada na parábola grega da raposa e do porco-espinho. A raposa sabe muitas pequenas coisas, mas o porco-espinho sabe uma grande coisa. O porcoespinho ganha da raposa<a href="#1"><strong><sup></sup></strong></a>. Um exemplo prático foi o notável salto de desempenho de Walgreens entre as décadas de 1970 e 1990, quando ela se transformou numa empresa de alta performance<a href="#1"><strong><sup></sup></strong></a>.</p>
<p>Uma das primeiras escolhas fundamentais de uma boa estratégia é ter as pessoas certas nos lugares certos. O time de gestão precisa ter o talento apropriado para o que a estratégia exige. Disso surge uma cultura corporativa virtuosa.</p>
</div>
</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">O que é vantagem competitiva?</span></strong></p>
<p>Vantagem competitiva significa aquilo que a empresa faz que os competidores não conseguem replicar. Ela é criada quando as diversas atividades das empresas vão se encaixando, fortalecendo umas às outras, num sistema em que 1+1&gt; 2. O sistema precisa valer mais do que a soma das partes. Só assim as barreiras de entrada são formadas.</p>
<p>Vantagens competitivas se baseiam quase sempre num mercado circunscrito, seja uma geografia (Fleury no município de São Paulo) ou um produto (Intel em microprocessadores). Primeiro, busca-se o adensamento daquele mercado definido. Em seguida, busca-se o crescimento em direções adjacentes, para que tais vantagens se mantenham e idealmente se fortaleçam. No caso de o mercado circunscrito ser uma geografia, o ideal é crescer em áreas contíguas. Caso seja um produto, o ideal é buscar o crescimento em produtos complementares ou sinérgicos (por exemplo, uma empresa de vestuário desenvolver produtos de extensão de marca, como acessórios).</p>
<p>Vantagens competitivas são fluidas e dinâmicas. Por isso precisam ser permanentemente defendidas. O líder precisa conter novos entrantes, como um elefante usa o peso da sua pata para esmagar as inúmeras formigas que surjam à sua volta. Complacência pode eliminar as vantagens. Isso exige conhecer as fortalezas próprias e a dos concorrentes. Para isso, três focos estratégicos são necessários: (1) fazer investimentos incrementais nas fortalezas atuais, mantendo-as robustas ou até fortalecendo-as; (2) identificar as áreas potenciais de crescimento (seja geografia ou produto), desde que ofereçam sinergias que levem ao fortalecimento das vantagens competitivas atuais; (3) identificar ameaças que possam enfraquecer as vantagens atuais, implementando reações suficientemente fortes para contê-las.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Dinâmica: o efeito volante e o ovo</span></strong></p>
<p>BA dinâmica estratégica é a mesma para uma startup ou para um incumbente: não existe um momento mágico, divisor de águas, para que uma nova estratégia se prove bem-sucedida. É preciso haver uma sequência de etapas evolutivas que se acumulam até um desabrochar. É o que Jim Collins chama de efeito volante.</p>
<p>Imaginemos um grande volante: um disco metálico maciço de 10m de diâmetro, 0,5m de espessura e 2 toneladas de peso, na posição horizontal, suspenso no ar e fixado num eixo central ao redor do qual ele gira. O objetivo é fazê-lo girar o mais rápido e prolongadamente possível. No início, até a tração começar, a força necessária é grande, falta sincronia. Até que tudo fica encaixado e coordenado, quando o volante passa a girar em aceleração. À medida em que ele ganha velocidade, cria uma força que se autossustenta. A partir daí a força marginal necessária para manter a velocidade é decrescente. Até que se chega a um “nível de cruzeiro”. Isso é o que ele chama de efeito volante. Segundo ele, quando uma empresa reúne as pessoas certas no lugar certo e define uma estratégia certa, após um tempo começa uma tração que acelera sua performance, até um ritmo sustentável, como o movimento de um volante.</p>
<p>Qual dos inúmeros empurrões foi decisivo para se chegar à velocidade sustentável? Nenhum. Todos se acumularam até o desabrochar. Acumular e desabrochar, esta é a combinação de sucesso, sendo a antítese das soluções de alto impacto que buscam resultados de curto prazo, geralmente ineficazes.</p>
<p>Para isso, o foco precisa ser em analisar o que a empresa vem fazendo internamente, que transformações vem experimentando e que nova habilidades vem trazendo para dentro, até o momento em que atinja uma maturidade e solidez. É a analogia do ovo e do pintinho<a href="#1"><strong><sup></sup></strong></a>. Para quem está de fora, pode parecer um desabrochar repentino, mas não é. Esse é o indicador antecedente do sucesso futuro.</p>
<p>Mas essa evolução precisa conter os elementos que discutimos anteriormente: uma estratégia bem definida, sinais de construção de vantagens competitivas e fazendo movimentos estratégicos nas adjacências da sua espinha dorsal que sejam sinérgicos e capazes de fortalecer estas vantagens.</p>
<p>Portanto, paciência, tempo e continuidade são traços presentes em estratégias bem sucedidas que criem vantagens competitivas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Inter – criando vantagens competitivas</span></strong></p>
<p>A estratégia porco-espinho de Inter é criar um ecossistema integrado, combinando a espinha dorsal de serviços financeiros com um <em>marketplace</em> de varejo, num ambiente todo digital de um <em>Super App</em> , oferecendo baixo custo, simplicidade e boa experiência de uso.</p>
<p>Começou como um banco tradicional, operando em empréstimos imobiliário e consignado na década de 2000, concentrado em Minas Gerais. Em seguida, começou a investir em áreas sinérgicas, oferecendo seguros (a partir de 2012) e investimentos (a partir de 2013). Em 2015, deu início à sua estratégia de banco digital, buscando oferecer baixo custo e fácil acesso. Finalmente em 2019 lançou sua plataforma de <em>marketplace</em> , numa iniciativa inovadora<a href="#1"><strong><sup></sup></strong></a>. Vemos aqui a evolução interna do ovo, cada passo no devido tempo.</p>
<p>Portanto, seu posicionamento estratégico atual foca em cinco verticais: conta digital, crédito, seguros, investimentos e <em>marketplace</em>. Isso foi fruto de um processo evolutivo, em que o banco foi investindo em adjacências sinérgicas, a partir da sua espinha dorsal de crédito, construindo as bases para a possível criação de vantagens competitivas. Elas serão consolidadas se o banco souber aproveitar a grande oportunidade de <em>cross-sell</em> entre as verticais, que é o elemento fundamental para a monetização do cliente, e para a criação de um forte vínculo com ele.</p>
<p>O que nos chama atenção – e nos agrada – na sua evolução é um histórico de paciência e ações encadeadas no devido tempo. São indicações de um bom caminho e mais chances de sucesso.</p>
<p>O seu app (a caminho de poder se tornar um <em>Super App</em> com o <em>marketplace</em> ) é um elemento fundamental da sua estratégia. Até agora, ele tem evoluído de maneira competitiva: operacionalidade, base tecnológica e simplicidade têm permitido uma boa experiência do usuário. Como exemplo, seu NPS é elevado (83 pontos em setembro), há elevada ativação e recorrência de clientes (75% dos usuários consideram o Inter o seu primeiro ou o segundo banco).</p>
<p>O Inter ainda está construindo suas vantagens competitivas. Atualmente consideramos que marca é sua principal vantagem, mas ainda relativamente fraca. Vislumbramos um aumento da sua base de clientes de 1,5 milhão em 2018 para 9,0 milhões em 2020E e 13,0 milhões em 2021E, e um crescente <em>cross-sell</em> entre suas cinco verticais a partir de agora. Será o momento de o efeito volante ganhar tração.</p>
<p>Com isso, existe a concreta possibilidade de, em 2-3 anos, ela ter construído três vantagens competitivas: (1) <strong>marca</strong> (agora se tornando forte)<a href="#1"><strong><sup></sup></strong></a>; (2) <strong>economia de escala</strong>, pois passará a desfrutar de alavancagem operacional (vide figuras 10 e 11), e <strong>custo da troca <em>(switching cost)</em></strong> , já que o vínculo do usuário com o ecossistema do Inter pode ser forte e bem amarrado entre as verticais<a href="#1"><strong><sup></sup></strong></a>.</p>
<p>Um destaque favorável do Inter é que ele está na frente de seus concorrentes na proposta de valor de suas verticais. O <em>time to market</em><br />
é crítico para o sucesso no estágio atual de alta fragmentação do mercado de banco digital no Brasil. Cada nova vertical exige um <em>ramp up</em><br />
relativamente longo para ser operacionalmente bem feito, integrado e oferecendo uma boa experiência para o usuário (alguns anos).</p>
<p>Enquanto o Inter já estabeleceu suas cinco verticais e está iniciando o <em>ramp up</em> delas (cada uma em estágios diferentes), o Nubank, por exemplo, um importante competidor que já tem uma base de mais de 30 milhões de clientes (cerca de quatro vezes a base atual de Inter), é predominantemente restrito a cartão de crédito, tendo acabado de entrar na vertical de investimento, comprando a Easynvest, uma importante plataforma, tendo agora que lidar com o desafio de integração operacional e de cultura corporativa. Em seguro, está ainda na fase de pesquisa de opinião com seus clientes para identificar a possibilidade de oferecer o produto. Temos dúvida de como o Nubank conseguirá monetizar seu cliente, já que é excessivamente concentrado em conta digital/cartão. Base de clientes grande é importante, mas não suficiente por si só. Esta é a parte “fácil” de alcançar com capital disponível. O desafio é monetizar esta base, gerando retorno econômico. E isso só é possível com criação de vantagens competitivas, o que não é tão claro para nós no caso do Nubank até agora.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Mapa setorial – Algumas comparações </span></strong></p>
<p>Apresentamos alguns dados comparativos dos principais participantes do mercado de bancos digitais, daquilo que conseguimos compilar, dado que informações do setor são escassas. Dito isso, provavelmente os três participantes que começam a despontar como líderes são Nubank, Neon e Inter (figura 1).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 1: </strong>Nº de clientes por instituição (em milhões)</p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18722 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/numero-de-clientes-por-posicao-1.jpg" alt="" width="1468" height="595" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/numero-de-clientes-por-posicao-1.jpg 1468w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/numero-de-clientes-por-posicao-1-300x122.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/numero-de-clientes-por-posicao-1-1024x415.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/numero-de-clientes-por-posicao-1-768x311.jpg 768w" sizes="(max-width: 1468px) 100vw, 1468px" />Fonte: Site das empresas e Valor Econômico.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como dissemos antes, o Inter parece ter uma competitiva proposta de valor, com forte potencial de construção de vantagens competitivas e <em>cross-sell</em> (figura 2).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 2: </strong>Oferta de produtos/serviços – comparação</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-18723 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/oferta-producos-servicos-1.jpg" alt="" width="1456" height="547" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/oferta-producos-servicos-1.jpg 1456w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/oferta-producos-servicos-1-300x113.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/oferta-producos-servicos-1-1024x385.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/oferta-producos-servicos-1-768x289.jpg 768w" sizes="(max-width: 1456px) 100vw, 1456px" /></p>
<p><span style="font-size: 10pt;">Nota: (1) Compra da Easynvest em Out-20. Fonte: Site das empresas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Analisamos a reputação, o engajamento e o <em>brand awareness</em> de Inter e demais comparáveis com base no Reclame Aqui (a mais poderosa plataforma de avaliação de reputação e engajamento de marca do país), reconhecendo todas as limitações inerentes da análise. Inter apresenta uma nota “Ótima” (8,0), atrás de Neon e na frente de Nubank (figura 3).</p>
<p>Porém, o surpreendente é que o nível de engajamento de Inter – com base no número de reclamações – desponta como muito superior<a href="#1"><strong><sup></sup></strong></a>. Seu nível é próximo do de Itaú e quase o dobro do de Nubank. Considerando como indicador de <em>brand awareness</em> o número de visualizações, Inter e Nubank são os destaques. Chama a atenção o baixíssimo nível de Neon e o elevado patamar de C6.</p>
<p>Isso nos leva à pergunta: será que C6 está sendo capaz de construir uma vantagem competitiva de marca mais robusta mesmo antes de alcançar uma base de clientes mais próxima da dos três maiores do mercado? Pela interlocução com nossas fontes, parece que sim. Talvez já pudéssemos considerar Nubank, Inter, Neon e C6 como os quatro bancos digitais com mais tração competitiva atualmente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 3: </strong>Reclame Aqui: reputação e engajamento e <em>brand awarenes</em></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-18724 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/reclame-aqui-reputacao-engajamento-1.jpg" alt="" width="1124" height="860" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/reclame-aqui-reputacao-engajamento-1.jpg 1124w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/reclame-aqui-reputacao-engajamento-1-300x230.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/reclame-aqui-reputacao-engajamento-1-1024x783.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/reclame-aqui-reputacao-engajamento-1-768x588.jpg 768w" sizes="(max-width: 1124px) 100vw, 1124px" /><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Reclame Aqui.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Adicionamos Magazine Luiza na comparação, por ser um <em>benchmark</em> em <em>marketplace</em> no Brasil atualmente: seu número de reclamações ultrapassa 100 mil (3-5 vezes superior aos bancos tradicionais), enquanto o número de visualizações está no intervalo dos grandes bancos, que desfrutam das mais reconhecidas marcas no país.</p>
<p>De qualquer maneira, o mercado de banco digital está muito competitivo e ainda não consolidado. Nos próximos 2-3 anos, teremos um quadro mais bem definido entre vencedores e perdedores. Veremos de quais ovos sairão pintinhos. Entendemos que Inter será um deles.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Evolução dos Números de Inter – curva em S </span></strong></p>
<p>Vislumbramos o crescimento de Inter numa curva em S, em que o momento mais íngreme tende a ser o período 2019-23. É nesses cinco anos que ela deverá ter o mais forte <em>ramp up</em> das suas cinco verticais através de um robusto impulso de <em>cross-sell</em> , passando a mostrar uma alavancagem operacional em ascensão a partir de 2023. Selecionamos alguns dados de nossas projeções abaixo, que ilustram esta dinâmica.</p>
<p>A base de clientes ganhou tração a partir de 2019 (figura 4), ultrapassando 7 milhões em set-20. Atualmente, ela vem crescendo a um ritmo de 20 mil contas por dia útil (~5 milhões a.a.). O Inter considera possível acelerar para 25 mil em 2021 (~6,3 milhões a.a.), pela tração atual. Conservadoramente, consideramos que a partir de 2022 o ritmo desacelerará, já que a dinâmica boca-a-boca é muito forte no crescimento atual e pode diminuir adiante, exigindo maior custo de aquisição do cliente marginal. Mas é bastante plausível que nossas premissas se mostrarem conservadoras e a tração se prolongue por mais tempo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 4: </strong>Total de clientes (em mil)</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18725 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/total-clientes-1.jpg" alt="" width="1693" height="779" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/total-clientes-1.jpg 1693w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/total-clientes-1-300x138.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/total-clientes-1-1024x471.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/total-clientes-1-768x353.jpg 768w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/total-clientes-1-1536x707.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1693px) 100vw, 1693px" /></p>
<p><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Cardinal Partners e Inter.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O <em>ramp up</em> das verticais de investimento (PAI – Plataforma Aberta de Investimento) e <em>marketplace</em> serão os destaques do forte crescimento da receita de serviços (figuras 5 e 6), que tendem a ganhar importância relativa vis-à-vis a receita de operações de crédito e tesouraria (NII), como mostra a figura 7.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 5: </strong>Receita de serviços (R$ milhão)</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18726 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/receita-servicos-1.jpg" alt="" width="1650" height="731" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/receita-servicos-1.jpg 1650w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/receita-servicos-1-300x133.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/receita-servicos-1-1024x454.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/receita-servicos-1-768x340.jpg 768w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/receita-servicos-1-1536x680.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1650px) 100vw, 1650px" />Fonte: Cardinal Partners e Inter.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 6: </strong>Composição da receita de serviços</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18728 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/composicao-da-receita-de-servicos-1.jpg" alt="" width="1408" height="872" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/composicao-da-receita-de-servicos-1.jpg 1408w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/composicao-da-receita-de-servicos-1-300x186.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/composicao-da-receita-de-servicos-1-1024x634.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/composicao-da-receita-de-servicos-1-768x476.jpg 768w" sizes="(max-width: 1408px) 100vw, 1408px" />Fonte: Cardinal Partners e Inter.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 7: </strong>Receita total e % de receita de serviços (R$ milhão)</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18729 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/receita-total-e-receita-de-servicos-1.jpg" alt="" width="1520" height="727" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/receita-total-e-receita-de-servicos-1.jpg 1520w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/receita-total-e-receita-de-servicos-1-300x143.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/receita-total-e-receita-de-servicos-1-1024x490.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/receita-total-e-receita-de-servicos-1-768x367.jpg 768w" sizes="(max-width: 1520px) 100vw, 1520px" />Fonte: Cardinal Partners e Inter.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A operação de crédito tende a continuar com um robusto crescimento (figura 8), devido à sua forte competitividade e tradicional presença de mercado. Enquanto empréstimo imobiliário permanecerá como carro-chefe, cartão de crédito ganhará peso relativo, em detrimento de empréstimos consignado/pessoal (figura 9).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 8: </strong>Empréstimos totais (R$ milhão)</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18730 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/emprestimos-totais-1.jpg" alt="" width="1622" height="720" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/emprestimos-totais-1.jpg 1622w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/emprestimos-totais-1-300x133.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/emprestimos-totais-1-1024x455.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/emprestimos-totais-1-768x341.jpg 768w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/emprestimos-totais-1-1536x682.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1622px) 100vw, 1622px" />Fonte: Cardinal Partners e Inter.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 9: </strong>Composição da carteira de crédito</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18731 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/composicao-de-carteira-de-creito-1.jpg" alt="" width="1540" height="928" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/composicao-de-carteira-de-creito-1.jpg 1540w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/composicao-de-carteira-de-creito-1-300x181.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/composicao-de-carteira-de-creito-1-1024x617.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/composicao-de-carteira-de-creito-1-768x463.jpg 768w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/composicao-de-carteira-de-creito-1-1536x926.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1540px) 100vw, 1540px" />Fonte: Cardinal Partners e Inter.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A alavancagem operacional deverá começar em 2022, ganhando força a partir de 2023, como mostra a evolução do seu <em>cost-to-income</em> da figura 10 e do seu ROE na figura 11. O baixo ROE em 2020-21 se deve principalmente à desalavancagem operacional no período. É quando vislumbramos o maior ritmo de crescimento de despesas operacionais para a construção da devida capacidade operacional, tecnológica e de pessoas para suportar seu crescimento que já está em aceleração.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 10: </strong><em>Cost-to-Income</em></p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18732 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/cost-to-income-1.jpg" alt="" width="1412" height="811" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/cost-to-income-1.jpg 1412w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/cost-to-income-1-300x172.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/cost-to-income-1-1024x588.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/cost-to-income-1-768x441.jpg 768w" sizes="(max-width: 1412px) 100vw, 1412px" />Fonte: Cardinal Partners e Inter.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 11: </strong>ROE</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18733 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/roe-1.jpg" alt="" width="1466" height="808" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/roe-1.jpg 1466w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/roe-1-300x165.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/roe-1-1024x564.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/roe-1-768x423.jpg 768w" sizes="(max-width: 1466px) 100vw, 1466px" />Fonte: Cardinal Partners e Inter.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 12: </strong>DRE – dados selecionados (R$ milhão)</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18734 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dre-dados-selecionados-e1604605296849-1.jpg" alt="" width="1590" height="745" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dre-dados-selecionados-e1604605296849-1.jpg 1590w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dre-dados-selecionados-e1604605296849-1-300x141.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dre-dados-selecionados-e1604605296849-1-1024x480.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dre-dados-selecionados-e1604605296849-1-768x360.jpg 768w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dre-dados-selecionados-e1604605296849-1-1536x720.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1590px) 100vw, 1590px" />Fonte: Cardinal Partners e Inter.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #002142;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Marcelo Audi<br />
</span></strong></span><span style="font-size: 10pt;">Novembro de 2020</span></p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<div id="1"><span style="font-size: 10pt;"><a id="#1"></a><br />
 GREENWALD, Bruce and KAHN, Judd. <em>Competition demystified – A radically simplified approach to business strategy</em>. Portfolio, 2007, Prefácio</span><br />
<span style="font-size: 10pt;"> A raposa é rápida, astuta, parece ter tudo para vencer. O porco-espinho é lento, desajeitado, parece ter tudo para perder. Mas é o porco-espinho que vence. A todo ataque da raposa nas suas diversas formas, o porco-espinho enrola-se, transformando-se numa esfera de pontas afiadas apontadas em todas as direções. Assim, ele é capaz de simplificar a complexidade do mundo numa ideia unificadora de tudo, num princípio básico único. Reduz os desafios e dilemas em ideias simples e claras. Foca no essencial e ignora o resto. Inversamente, a raposa atua em diversas frentes, se dispersa, nunca sendo capaz de integrar seus pensamentos numa visão única que dê resultados.<br />
</span><span style="font-size: 10pt;"> A ideia porco-espinho foi: ter as melhores farmácias com serviços de conveniência e elevado lucro para cada visita de cliente. Simples assim. Deste norte, ela mergulhou obsessivamente em ações que dela derivaram. Fechou lojas de localização ruim e fez abertura apenas em pontos bons, de preferência em esquinas. Se surgisse a oportunidade de um ponto excelente próximo de um ponto bom onde já estivesse, fecharia esta última, mesmo incorrendo em custo alto de rompimento de contrato de aluguel. Foi pioneira no conceito de farmácia <em>drive-through</em>; vendo que os clientes gostavam do conceito, abriu centenas delas. Em áreas urbanas, abriu lojas próximas umas das outras, seguindo o princípio de que o cliente não deveria ter que andar mais do que alguns quarteirões para encontrar uma Walgreens. Com esse adensamento, obteve economias locais de escala, permitindo ampliar a oferta de serviços de alta margem e que aumentava o fluxo e a frequência de visitas dos clientes às lojas, como revelação de filmes em uma hora. Isso se tornou um círculo virtuoso de crescente geração de caixa e retornos econômicos. Tudo a partir de uma simples ideia porco-espinho. COLLINS, Jim <em>“Good to Great”</em>, Harper Collins, 2001, capítulo 5.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt;"> Imaginemos um ovo. Dia após dia, ele se encontra inerte, sem que ninguém preste atenção, ninguém tira foto. Até que um dia a casca se rompe e dele sai um pintinho. É um momento mágico, de grande impacto. Vira notícia, as pessoas tiram foto, comovem-se. Visto de fora, este foi um grande evento ocorrido num dia. Agora, pensemos na ótica do pintinho. Enquanto o mundo externo ignorava o ovo aparentemente inerte, internamente o pintinho estava evoluindo, crescendo, se desenvolvendo, mudando. Pela sua ótica, o rompimento da casca foi apenas mais um passo numa longa cadeia de passos que o levou a aquele momento. Sem dúvida foi um grande passo, mas longe de ter sido uma radical transformação como percebida pelo observador externo. Ibid, capítulo 5.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt;"> Nesta linha, é interessante mencionar que a empresa recentemente mudou sua marca de Banco Inter para Inter, buscando fortalecer a marca do seu ecossistema integrado que inclui o <em>marketplace</em> .</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt;"> Por exemplo, o cliente tem uma aplicação financeira, que lhe dá um limite maior no cartão de crédito, e decide comprar um eletrodoméstico no seu <em>marketplace</em> pagando com o cartão e ganhando <em>cashback</em> , executando tudo pelo aplicativo. Ou seja, num único ambiente digital do <em>Super App</em> o cliente usou três verticais que lhe ofereceram sinergias: investimentos, conta digital/cartão e <em>marketplace</em>.</span></div>
<div><span style="font-size: 10pt;"> Quando a nota é favorável, o número de reclamações é um útil indicador de engajamento no Reclame Aqui.</span></div>
<div></div>
</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carta Cardinal 17 &#8211; Risco Peixe-Dinamite</title>
		<link>https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-17/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cardinal Partners]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2020 21:52:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
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					<description><![CDATA[Após o surpreendente rally de alívio do mercado, principalmente a partir de meados de maio, existe um risco que acreditamos estar mal avaliado: o risco peixe-dinamite, que consideramos ser o mais importante para o segundo semestre de 2020. Imagine que houvesse um peixe-dinamite no fundo do mar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="vc-row">
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<div class="vc-column"><span id="more-18625"></span></div>
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</div>
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<div class="vc-column">
<div class="page" title="Page 1">
<div class="layoutArea">
<div class="column">
<p>Após o surpreendente <em>rally</em> de alívio do mercado, principalmente a partir de meados de maio, existe um risco que acreditamos estar mal avaliado: o risco peixe-dinamite, que consideramos ser o mais importante para o segundo semestre de 2020. Imagine que houvesse um peixe-dinamite no fundo do mar. Quando ele explode, após uma defasagem de tempo, começam a aparecer peixes boiando na superfície. Primeiro os pequenos, depois os grandes, e por fim as baleias. São as sequelas daquele habitat natural, levando algum tempo para ser reconstituído.</p>
<p>Analogamente, podemos considerar que o peixe-dinamite é o coronavírus, a explosão é a pandemia. Os peixes boiando são o desemprego e a quebra de empresas, as sequelas. Nesse caso, a defasagem é explicada pelos gigantescos pacotes de socorro do governo, que funcionam como uma morfina: representam um alívio de curto prazo, mas não prescindem de soluções estruturais de médio prazo, que, no caso de uma empresa, podem significar profundas e irreversíveis mudanças do seu modelo de negócio, o enxugamento do seu tamanho e, em alguns casos, a necessidade de recapitalização, trazendo o risco de diluição do acionista.</p>
<p>Acreditamos que as consequências do risco peixe-dinamite ficarão explícitas a partir do terceiro trimestre de 2020, quando veremos o fim ou a diminuição de tamanho dos pacotes de socorro do governo. Aí então poderá haver o momento mais intenso de demissões e quebra de empresas. É importante lembrar que até agora isso não ocorreu de maneira maciça, nem mesmo nos casos mais dramáticos, como nos setores de turismo, aéreo, aeroespacial, entre outros. Essa não é uma condição normal e sustentável. Veremos forçosamente uma convergência, com suas dores inevitáveis.</p>
<p>Destacamos alguns exemplos do choque de realidade que nos espera no terceiro trimestre. Bancos não seguirão renegociando empréstimos indiscriminadamente e continuamente (já temos notícia de que algumas empresas começam a atrasar o pagamento de empréstimos renegociados nos últimos 60 dias). A política de concessão de crédito dos bancos tenderá a ser apertada diante do maior risco. Empresas que usaram a linha de financiamento de folha de pagamento do governo, tendo como contrapartida não demitirem, poderão preferir demitir para ajustar mais profundamente suas operações para um ambiente de negócio mais adverso por mais tempo e para enfrentarem seus competidores. Empresas pequenas e médias não terão mais fôlego e começarão a morrer (começam a surgir pesquisas indicando que dois em cada cinco restaurantes/bares de pequeno porte não reabrirão).</p>
<p>Mesmo as empresas grandes, geralmente mais competitivas e com mais capacidade financeira, acabarão com maior alavancagem financeira. Elas conseguiram captar dívida preventivamente para a garantia de capital de giro de curto prazo, mas este caixa novo será usado, inclusive oferecendo alívio financeiro para sua cadeia de negócios (fornecedores e/ou clientes geralmente de menor porte), resultando em uma dívida líquida maior.</p>
<p>Portanto, <u>o risco peixe-dinamite representa um potencial de destruição de valor</u>, e deve ser o risco prioritário a monitorar e considerar nas decisões de investimento.</p>
<p>Não esperemos uma linha reta ascendente do mercado de ações brasileiro, mas sim um comportamento com correções frequentes e relevantes adiante.</p>
</div>
</div>
<div class="layoutArea">
<div class="column">
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Os raios de luz atrás das nuvens negras</span></strong></p>
<p>Esse terreno acidentado que encontraremos adiante também trará algumas oportunidades, podendo representar inclusive uma criação de valor. Destacamos a seguir algumas destas oportunidades.</p>
<p><strong><span style="color: #00adea;">Aumento de eficiência operacional</span> </strong>– A recessão atual leva a empresa bem gerida a alcançar uma maior eficiência operacional, através de melhoras de processo e de gestão de estoque, corte de custo e maior automação e digitalização. Ou seja, para um mesmo nível de receita ela pode alcançar uma maior geração de caixa livre. Mas a sua receita não será a mesma por algum tempo, talvez até 2022. Portanto, esta criação de valor será parcialmente compensada pela destruição de valor representada pela piora de demanda estrutural. Nos casos mais benignos, este saldo poderá ser positivo;</p>
<p><span style="color: #00adea;"><strong>Consolidação setorial</strong> </span>– Um traço que distingue este choque recessivo de outras recessões, mesmo a de 2015-16, é que a magnitude de consolidação setorial deverá ser muito grande. Quanto maior a fragmentação setorial, maior será a oportunidade da empresa competitiva tirar proveito dela, ganhando participação de mercado de maneira mais fácil e barata (por exemplo, sem precisar recorrer a aquisições caras). Alguns setores em que esta oportunidade parece atrativa são vestuário, e-commerce, restaurantes, bancos digitais, tecnologia, educação e saúde;</p>
<p><span style="color: #00adea;"><strong>Aumento de penetração</strong></span> – Muitos produtos e serviços ainda são pouco penetrados na economia, em parte porque o juro baixo, que é uma alavanca para o aumento de penetração, ainda é uma realidade muito recente (pouco mais de um ano) e ainda não gerou resultados plenos. Além disso, a intensa transformação digital causada pelo choque atual representa um catalisador adicional nesse sentido. Destacamos alguns setores em que este vetor pode ser relevante: serviços bancários em geral e digitais em particular, restaurantes (<em>delivery</em> tornou-se um canal poderoso e irreversível), incorporação imobiliária<a href="https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-17/#1"><strong><sup></sup></strong></a> e tecnologia;</p>
<p><span style="color: #00adea;"><strong>Transformação</strong> <strong>digital acelerada </strong></span>– As empresas estão acelerando e antecipando sua transformação digital, em boa parte porque o consumidor foi compelido a isso pela quarentena. Acreditamos firmemente que esta é uma mudança de hábito, portanto permanente. O potencial de criação de valor pode ser muito relevante, beneficiando a eficiência operacional e alavancando e integrando canais de distribuição. Em termos de setores, praticamente todos têm esta oportunidade, até mesmo setores de base e supostamente menos expostos ao digital, como material de construção e indústria;</p>
<p><span style="color: #00adea;"><strong>Aprimoramento do modelo de negócio</strong></span> – Destacamos o <em>omnichannel</em> como palavra-chave neste aspecto. A recessão combinada com a quarentena trouxe a imediata necessidade de multicanalidade eficaz como um fator competitivo decisivo para os próximos dois anos. Quanto mais o setor estiver na ponta final do consumidor, maior esta oportunidade. Em adição, o setor de tecnologia pode desfrutar de uma demanda mais resiliente e mesmo crescente comparado com a recessão de 2015-16.</p>
</div>
</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">A evolução cíclica a partir da pandemia</span></strong></p>
<p>Em síntese, vislumbramos a evolução do ciclo econômico até uma normalidade plena em três fases, sintetizadas de maneira simplificada abaixo (os períodos são aproximados). Este é o pano de fundo que permeia nossas análises individuais de setores e empresas.</p>
<p><span style="color: #00adea;"><strong>Fase 1</strong> </span>– V incompleto (~ de mar-20 a jun-20) &#8211; Nesta fase, a economia caiu abruptamente devido à quarentena. A reabertura da economia provocará uma retomada inicial de demanda forte, mas parcial, um V incompleto, ou seja, para um nível inferior a antes da queda. Isso porque haverá uma demanda reprimida inicial, mas insuficiente para uma recuperação plena;</p>
<p><span style="color: #00adea;"><strong>Fase 2</strong> </span>– Normalização precária: sem quarentena, mas sem vacina em massa (~ do 2S-20 ao 1S-21) &#8211; Vislumbramos uma curva em U nesta fase. É quando provavelmente veremos o ápice do desemprego e da quebra de empresas. A confiança do consumidor e a do empresário deverão melhorar apenas lentamente. Ainda haverá o risco de uma segunda onda do vírus. A alavancagem das famílias e das empresas subirá e a demanda na maioria dos setores permanecerá relativamente estagnada. Tende a ser um período análogo a 2017-18.</p>
<p><span style="color: #00adea;"><strong>Fase 3</strong></span> – Normalização definitiva: Coronavírus controlado com vacina em massa (~ a partir do 2S21) &#8211; com as empresas na sua maioria já ajustadas para o novo ambiente recessivo prolongado e com o fantasma da pandemia sendo controlado, a confiança tende a melhorar mais persistentemente, levando à retomada do investimento e a uma expansão de crédito mais firme. O mercado de trabalho começará a melhorar e a economia como um todo tenderá a ganhar tração crescente.</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Nossa estratégia de investimento desde o colapso do mercado</span></strong></p>
<p>Bancos, alimentos, mineração e distribuição de combustível permanecem sendo nossas alocações mais relevantes, porém menores do que em meados de março, quando estávamos próximos do piso<a href="https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-17/#1"><strong><sup></sup></strong></a>. Isso porque desde então iniciamos novos ciclos de investimento, tirando proveito do surgimento de empresas com atrativa margem de segurança e fundamentos sólidos, como mencionaremos abaixo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 1: </strong>Evolução da composição da carteira</p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-18633 aligncenter" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Grafico_Junho_2020-1.jpg" alt="" width="1092" height="622" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Grafico_Junho_2020-1.jpg 1349w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Grafico_Junho_2020-1-300x171.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Grafico_Junho_2020-1-1024x583.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Grafico_Junho_2020-1-768x437.jpg 768w" sizes="(max-width: 1092px) 100vw, 1092px" />Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Alimentos (proteínas) e mineração (minério de ferro) têm alguns pontos em comum em seus fundamentos: exposição favorável ao câmbio, que seguimos com a convicção de que será estruturalmente fraco por um bom tempo; alta exposição à China, que deverá ser o motor do crescimento global durante 2020-21; balanço fortíssimo e ciclo de negócio num momento excelente apesar da recessão global<a href="https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-17/#1"><strong><sup></sup></strong></a>, resultando numa atrativa criação de valor.</p>
<p>No caso de bancos, destacamos alguns dos vetores positivos de criação de valor que mencionamos anteriormente: aceleração da digitalização do cliente, proporcionando um aumento potencial da receita de serviços e de uma eficiência operacional potencialmente mais acelerada. Iniciamos um ciclo de investimento num banco digital. No caso de distribuição de combustível, a empresa em que investimos começa a colher os frutos de um grande salto de eficiência operacional, além de uma melhora significativa na qualidade de sua estratégia, estando num franco processo de criação de valor.</p>
<p>Numa menor escala, mantemos a alocação em medicina diagnóstica (destaque para o vetor de demanda reprimida, digitalização, eficiência operacional e consolidação setorial) e incorporação imobiliária (destaque para o vetor de aumento de penetração setorial), enquanto iniciamos novos ciclos de investimento em automobilístico, vestuário e restaurantes. No caso de vestuário e restaurantes, destacamos como vetores relevantes a oportunidade de ganho de eficiência operacional com muita flexibilidade, aumento de penetração pelo canal digital e consolidação setorial. No caso do setor automobilístico, trata-se de uma situação de margem de segurança muito atrativa numa operação estável, rentável e financeiramente forte num segmento oligopolizado, portanto com seu valor preservado.</p>
<p>Seguimos navegando neste contexto de um inédito choque, cujas consequências ainda não estão totalmente explícitas, como o risco peixe-dinamite, mas que também traz oportunidades para a empresa que tenha qualidade de estratégia e gestão, bem como agilidade de adaptação. E sempre trazendo a consideração macro para permear nossas análises, afinal a empresa não é uma ostra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #002142;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Marcelo Audi<br />
</span></strong></span><span style="font-size: 10pt;">Junho de 2020</span></p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<div id="1"><span style="font-size: 10pt;"><a id="#1"></a><br />
 Por exemplo, estima-se que o atual patamar de juro tenha aumentado o mercado endereçável de média renda na cidade de São Paulo em cerca de 2,5x, o que pode mais do que compensar a piora de poder aquisitivo das famílias por conta de um desemprego maior.</span><br />
<span style="font-size: 10pt;"> <span class="s2">Carta Cardinal 16: “Pânico” </span><a href="https://cardinalpartners.com.br/download/CartaCardinal-16.pdf">https://cardinalpartners.com.br/download/CartaCardinal-16.pdf</a><br />
</span><span style="font-size: 10pt;"> Em proteínas, um prolongado choque de oferta devido à gripe suína africana na China; em minério de ferro, um choque de oferta por restrições operacionais de algumas empresas líderes num setor oligopolizado, combinado com uma importante recuperação de demanda da China.</span></div>
</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carta Cardinal 16 &#8211; Pânico</title>
		<link>https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-16-panico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cardinal Partners]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2020 12:39:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
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					<description><![CDATA[A queda do Ibovespa neste choque do novo Coronavirus é de 44% em cerca de um mês. Essa magnitude a torna comparável com apenas quatro outros choques desde o Plano Real, que provocaram uma correção média do Ibovespa de 53%. Não temos dúvida de que o pêndulo do sentimento do investidor está no extremo do pânico.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="vc-row">
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<div class="layoutArea">
<div class="column">
<p>A queda do Ibovespa neste choque do novo Coronavirus é de 44% em cerca de um mês. Essa magnitude a torna comparável com apenas quatro outros choques desde o Plano Real (Figura 1), que provocaram uma correção média do Ibovespa de 53%. Não temos dúvida de que o pêndulo do sentimento do investidor está no extremo do pânico.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 1: </strong>Variação do IBOVESPA em pontos (escala log)</p>
</div>
</div>
<div class="layoutArea">
<div class="column">
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-18495" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/grafico1-1.jpg" alt="" width="750" height="459" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/grafico1-1.jpg 750w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/grafico1-1-300x184.jpg 300w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" />Nota: dados até dia 18/03/2020. Fonte: Cardinal Partners e Bloomberg.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Como a história mostra, momentos de pânico não são para vender, mas sim para comprar ações. A figura abaixo mostra o retorno do Ibovespa a partir dos pisos de cada um desses eventos um ano e dois anos depois. Na média, o retorno foi de 123% um ano depois e 223% dois anos depois (80% a.a.).</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 2: </strong>Variação do IBOV</p>
</div>
<div class="column">
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-18496" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/grafico2-1.jpg" alt="" width="750" height="344" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/grafico2-1.jpg 750w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/grafico2-1-300x138.jpg 300w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></span></strong></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Cardinal Partners e Bloomberg.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há três obstáculos para se decidir comprar no pânico: (I) não sabemos quando será o piso; (II) precisamos decidir comprar quando as notícias permanecem ruins ou ainda piorando; (III) precisamos superar o viés da extrapolação<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>. Só há uma solução para isso: focar num horizonte mais longo, de pelo menos um ano, se blindando contra a volatilidade de curto prazo. A história demonstra que esta disciplina compensa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">O que monitorar nos próximos três meses?</span></strong></p>
<p>Em pioras econômicas agudas como a atual, o valor de uma empresa pode ser substancialmente corroído, até mesmo chegando a zero: empresas podem quebrar. Por isso precisamos ter o maior conforto possível de que as empresas em que investimos serão capazes de preservar seu valor. Assim, destacamos quatro riscos e eventos relevantes a monitorar no Brasil e no mundo nos próximos três meses, quando provavelmente ainda estaremos no momento mais adverso da recessão global e doméstica.</p>
<p>Primeiro, e o mais importante, as empresas em que investimos precisam ter uma sólida saúde financeira, mostrando uma baixa alavancagem financeira (ou sendo caixa líquido), e vindo de uma confortável geração de caixa líquida nos trimestres recentes. Particular atenção precisa ser dada ao seu ciclo de investimento atual, necessidade de capital de giro e cronograma de vencimento das suas dívidas.</p>
</div>
</div>
</div>
<p>Segundo, a profundidade e a duração das medidas de restrição econômicas necessárias para o combate à pandemia nos países. Por exemplo, veremos <em>lockdowns</em> extremos como na China e em alguns países da Europa ou restrições mais suaves, como nos Estados Unidos e no Brasil até agora? Qual a duração dessas medidas? Por exemplo, <em>lockdowns</em> de 15 dias ou de 45 dias? Esses fatores indicarão a gravidade da potencial piora de cada setor e empresa. Em nossa opinião, ainda veremos um aumento de restrições tanto no caso brasileiro como no norte-americano.</p>
<p>Terceiro, quais serão a natureza, a magnitude e a eficácia das medidas dos governos em aliviar a recessão. Essencialmente, elas são de três naturezas: monetária, crédito e fiscal. As monetárias devem garantir a liquidez dos sistemas financeiro e bancário. As de crédito devem garantir a oferta de crédito e facilitar rolagens de dívidas de curto prazo, especialmente para setores e segmentos que podem ser mais dramaticamente afetados, como por exemplo o setor aéreo e o segmento de micro, pequenas e médias empresas. As fiscais devem buscar a garantia de renda das famílias mais pobres e o alívio de fluxo de caixa de pequenas e médias empresas, com medidas como a oferta de recursos adicionais às famílias (como FGTS) ou a postergação de pagamento de impostos pelas empresas. Neste tema, aplaudimos as qualidade e magnitude das medidas adotadas pelo governo brasileiro até agora.</p>
<p>Quarto, a saúde financeira do sistema bancário de cada país, pois a inadimplência forçosamente piorará. No caso brasileiro, este é um fator extremamente benigno pela solidez de nossos bancos, uma tradição de décadas. No caso dos EUA parece haver mais solidez do que em 2008. No caso europeu parece haver mais vulnerabilidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Nossa estratégia de investimentos atual</span></strong></p>
<p>Destacamos cinco características que predominam nos fundamentos das empresas em que investimos atualmente: baixa alavancagem financeira; sólida geração de caixa líquida; exposição favorável ao câmbio<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>; eficiência operacional elevada; produtos e serviços que sejam necessidades básicas das pessoas. A maioria dessas características está presente em nossas empresas investidas, não necessariamente todas.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 3: </strong>Composição da Carteira atual por setor</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-18497" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/grafico3-1.jpg" alt="" width="750" height="403" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/grafico3-1.jpg 750w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/grafico3-1-300x161.jpg 300w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em adição, ressaltamos a fortíssima margem de segurança de nossos investimentos, que destoa de uma condição normal. Em nosso processo de investimento, fazemos uma análise de assimetria de risco-retorno de nossos investimentos. Para isso, além de estabelecermos o valor que atribuímos à empresa, definimos também o que chamamos de preservação de capital, que é um valor que reflete as principais premissas levadas para um nível de estresse. Ou seja, a preservação de capital é um nível de extrema atratividade para investirmos, pois a probabilidade de perda do capital investido é baixa.</p>
<p>Abaixo apresentamos a análise de assimetria da nossa carteira atual comparada com nossa carteira em novembro, que refletia uma condição normal de nossos  investimentos. Nos gráficos, o topo da barra está associado ao valor da empresa, o piso da barra à preservação de capital e o eixo x ao preço da ação. Com isso calculamos o retorno esperado de cada investimento caso o preço convirja para o valor ou para a preservação de capital.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 4:</strong> Análise de assimetria das empresas investidas</p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-18498" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/graico4-1.jpg" alt="" width="750" height="344" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/graico4-1.jpg 750w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2020/03/graico4-1-300x138.jpg 300w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" />Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ao decidirmos investir numa empresa, geralmente seu preço situa-se abaixo do valor e acima da preservação de capital. Atualmente, em todas nossas empresas investidas, o preço da ação encontra-se abaixo da preservação de capital. Esta é uma situação anômala, denotando uma condição extrema de pânico do mercado.</p>
<p>Esta crise do Coronavirus irá passar, pela sua própria natureza. As outras também passaram. A hora é de manter a disciplina e o discernimento. Consideramos que as nossas empresas atualmente investidas têm robusta capacidade de preservação do seu valor e ao mesmo tempo uma perspectiva de retorno excelente para quando o alívio for restabelecido. Portanto, são as melhores alternativas “ganha-ganha” em relação à combinação de fundamento e margem de segurança.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #002142;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Marcelo Audi<br />
</span></strong></span><span style="font-size: 10pt;">Março de 2020<strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"></span></strong></span></p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"><br />
 </a></span><span style="font-size: 10pt;">A inclinação do ser humano é vender uma ação que vem caindo, ou comprar quando vem subindo.</span><br />
<span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> Seja por serem exportadoras ou terem parte relevante de suas operações em outras moedas.</span></div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carta Cardinal 15 &#8211; NOVA PREVIDÊNCIA, NOVA MENTALIDADE</title>
		<link>https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-15-nova-previdencia-nova-mentalidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cardinal Partners]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Dec 2019 18:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cardinalpartners.com.br/?p=18352</guid>

					<description><![CDATA[A reforma da Previdência e a queda na taxa de juros trazem importantes consequências para o investidor. Ele precisará investir mais dinheiro e diversificar seus investimentos, incluindo ações. 
Essa nova forma de investir precisa ter um horizonte de longo prazo, para que a volatilidade se torne uma oportunidade ao invés de uma ameaça.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="vc-row">
<div class="vc-column">
<div class="vc-column"><span id="more-18352"></span></div>
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<div class="vc-column">
<div class="page" title="Page 1">
<div class="layoutArea">
<div class="column">
<p>Dois eventos estruturais ocorreram no Brasil em 2019: a reforma da previdência e a queda de juros para níveis sem precedentes nas últimas décadas. As consequências de longo prazo são profundas: as pessoas precisarão trabalhar por mais tempo para se aposentar e construir um patrimônio financeiro maior para uma mesma renda esperada na aposentadoria. Para isso, a gestão de sua poupança a longo prazo precisará sofrer alterações relevantes: os investimentos migrarão parcialmente de renda fixa para outras classes de ativos, em particular ações; o investidor terá de adaptar sua mentalidade para um horizonte de investimento a longo prazo; e o investidor deverá se acostumar a conviver com a volatilidade dos investimentos.</p>
<p>Os investidores em um amplo espectro – de pessoas físicas a institucionais – já se deram conta desta necessidade, que é cada vez mais Contudo, a realocação ainda não ocorreu de maneira significativa. A Figura 1 mostra que a alocação em ações do total de fundos de investimentos domésticos atualmente é de 13% no Brasil, ainda extremamente baixa em comparação com os anos anteriores, especialmente considerando a taxa Selic atual de 4,5% a.a. Como exemplo, no período de 2000-2005, que foi em grande parte adverso política e economicamente, com a taxa Selic no intervalo de 15 a 20% a.a., alocação média em ações foi de 11%, levemente abaixo da atual.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 1: </strong>Evolução do PL dos fundos de investimento brasileiros vs taxa de juros (R$ bi e % a.a.)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18384" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig1-v2_web-1-1024x473.jpg" alt="" width="900" height="415" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig1-v2_web-1-1024x473.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig1-v2_web-1-300x138.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig1-v2_web-1-768x354.jpg 768w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig1-v2_web-1-1536x709.jpg 1536w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig1-v2_web-1.jpg 1625w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" />Fonte: Anbima e BTG.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As maiores alocações históricas em ações foram próximas a 20% nos anos de 2007, 2009 e 2010; e a mínima 8,5% em 2016 (o aumento de alocação deste ponto para o nível atual se explica pela alta dos preços das ações). Não se descarta a possibilidade de a alocação em ações evoluir para novas máximas nos próximos anos, dada a consolidação econômica que o país vem experimentando. Foi assim em quase todos os mercados de países que alcançaram uma condição análoga desde a década de 1980, incluindo Reino Unido, Estados Unidos, Espanha e Chile. Em muitos casos, a alocação em ações supera 50%.</p>
<p>Mas por que os investidores estão demorando para fazer a migração? Parte da resposta se explica pelo fato de que estas transformações estruturais são muito recentes – menos de um ano – em um cenário ainda em consolidação. Falta ainda a aceleração do crescimento econômico, o que se espera a partir do ano que vem. Porém, a maior parte da resposta vem de finanças comportamentais. Vejamos a seguir alguns vieses cognitivos que podem obstruir ou postergar este movimento:</p>
<ul>
<li><strong>Viés do status quo (ou inércia) </strong>– Tendemos a manter uma decisão tomada anteriormente. Isso se deve, em geral, a dois fatores: buscamos uma sensação de controle, mesmo que ilusória; e temos uma aversão ao arrependimento (que se mostra maior diante de uma perda causada por uma decisão tomada, do que uma perda por inação). Algumas consequências adversas para uma decisão de investimento são que perdemos a oportunidade de vendermos bem, mantendo em carteira investimentos ruins (por exemplo, títulos de renda fixa caros que já refletem um yield excessivamente baixo e um alto risco de reinvestimento).</li>
<li><strong>Viés da extrapolação – </strong>Extrapolamos para o futuro uma situação presente de maneira linear. Algumas consequências adversas em uma decisão de investimento podem incluir o seguinte: tendemos a investir mais em um título que vem gerando retornos positivos nos meses anteriores (mesmo que seu risco seja maior) e vender os que vêm dando retornos negativos (o mesmo se aplica aos fundos de investimento); subestimamos pontos de inflexão por superestimarmos tendências (por exemplo, com a melhora cíclica da economia a partir de agora, a relação risco–retorno de se investir em renda fixa pode ser pior do que um investimento em ações).</li>
<li><strong>Viés do conservadorismo – </strong>Ao contrário do que o nome sugere, este viés pode nos levar para o risco. Consiste na resistência que temos de mudar de opinião diante de novas evidências opostas ao que pensávamos. É como se mantivéssemos um certo estado de negação diante de uma nova realidade que se configura. Destacamos três possíveis consequências desfavoráveis para decisões de investimento: deixamos de comprar barato (por exemplo, postergamos a migração de renda fixa<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a><strong> </strong>para ações para um momento futuro, quando este mercado poderá estar mais caro); subestimamos pontos de inflexão por superestimarmos tendências (por exemplo, como faz muitos anos que os investidores têm tido robustos retornos em renda fixa, eles mantem a expectativa de que esta tendência continuará); falta de prudência (o risco em renda fixa agora pode ser substancialmente superior do que há alguns anos).</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Volatilidade, risco e horizonte de investimento</span></strong></p>
<p>Apresentamos a seguir alguns conceitos fundamentais que consideramos ser um pilar da teoria de value investing. Usaremos como referência o investimento em ações, mas a mesma lógica pode ser aplicada para outras classes de ativos, inclusive imobiliários.</p>
</div>
</div>
</div>
<p>Howard Marks escreveu como é importante sabermos que o sentimento do investidor se altera como uma força semelhante ao movimento de um pêndulo, indo de um extremo de pânico (em que predomina o medo) ao extremo de euforia (em que predomina a ganância), conforme demonstrado na Figura 2.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 2:</strong> O sentimento do mercado se altera como uma força semelhante ao movimento de um pêndulo</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-18362" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig2_web-1.jpg" alt="" width="600" height="297" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig2_web-1.jpg 600w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig2_web-1-300x149.jpg 300w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></span></p>
<p><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Cardinal Partners. MARKS, Howard. The most important thing: uncommon sense for the thoughtful investor. Columbia University Press, 2011, cap. 9.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Assim, consideramos que o <strong>preço </strong>de uma ação é uma medida do <strong>sentimento do investidor </strong>em um dado instante. Por isso ele é tão volátil.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a><strong> </strong>Já o <strong>valor </strong>de uma ação reflete na capacidade da <strong>empresa de gerar caixa </strong>consistentemente no tempo. Assim, o valor é o elemento central do nosso esforço de análise, que por sua vez foca nos fundamentos da empresa e do seu mercado de atuação. Fazendo um bom trabalho de análise qualitativa (a estratégia de investimento da empresa, por exemplo) e quantitativa (a análise da rentabilidade dos negócios da empresa e suas perspectivas), o valor não deveria mudar muito no tempo, mas sim o preço, como mostra a Figura 3.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 3: </strong>Preço vs Valor, Risco vs Volatilidade</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-18363" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig3-v2_web-1.jpg" alt="" width="750" height="344" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig3-v2_web-1.jpg 750w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig3-v2_web-1-300x138.jpg 300w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" />Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Associado a estes dois elementos, temos os conceitos de volatilidade  e risco. Consideramos a <strong>volatilidade </strong>como uma medida de variação do sentimento do investidor ao longo do tempo, que está <strong>associada ao preço</strong>; e o <strong>risco </strong>a possível piora da capacidade de geração de caixa da empresa, que está <strong>associado ao valor</strong>.</p>
<p>Esta piora pode se dar por diversos fatores, incluindo um ambiente competitivo mais hostil (como ocorreu com o mercado de adquirência nos últimos dez anos), a aquisição de uma nova empresa que se prova menos geradora de caixa do que o esperado, uma nova estratégia de negócios que desaponta nos resultados, ou até mesmo premissas pouco conservadoras que eventualmente tenhamos considerado em nossas análises, configurando um erro. A consequência é que se concretizando o risco, o valor que atribuímos à ação da empresa precisará ser revisto para baixo, conforme demonstrado na Figura 3.</p>
<p><span style="font-size: 12pt;">Daí a importância de investirmos com margem de segurança, para preservarmos o capital investido no caso de ocorrer o risco (Figura 4).</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 4: </strong>Margem de segurança</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-18364" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig4-v2_web-1.jpg" alt="" width="750" height="227" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig4-v2_web-1.jpg 750w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig4-v2_web-1-300x91.jpg 300w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" />Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O que faz surgir a margem de segurança? Podemos destacar fatores como: a ausência de catalisadores positivos; o setor ou a empresa estarem “fora de moda” (muitas vezes por estarem em uma piora do seu ciclo de negócios ou em um acirramento de competição); o desapontamento de resultados trimestrais ou derivados de outras notícias associadas a seus negócios. Estes fatores podem fazer o preço da ação cair de maneira exagerada (o pêndulo pode caminhar para um extremo de pânico). Por outro lado, o valor que atribuímos à empresa pode ser revisto para cima se nos convencermos de que sua capacidade de geração de caixa subirá devido a boa execução de sua estratégia ou novas vias de crescimento.</p>
<p>É importante destacar que caso a decisão de investimento se baseie nos fundamentos da empresa e de seu setor, o horizonte de investimento necessariamente deve ser de longo prazo. Do contrário, será inconsistente. Para chegarmos ao valor de uma empresa levamos em consideração os ciclos econômico, setorial e da própria empresa (que geralmente não evoluem em menos de dois anos e podem levar até quatro ou cinco anos); e novas iniciativas estratégicas em curso, que tendem a demorar alguns anos para maturar, entre outros fatores. Portanto, na vida de uma empresa, nada ocorre a curto prazo, especialmente estratégias de negócios que criam valor.</p>
<p>Dada esta dinâmica, o surgimento da margem de segurança pode demorar a aparecer e, quando aparece, pode demorar para que o preço convirja para o valor, pois o surgimento de catalisadores positivos, melhoras cíclicas ou a maturação de novas vias de crescimento pode levar um tempo razoavelmente longo.</p>
<p>Nesta dinâmica, a volatilidade do preço precisa ser tratada com a devida lucidez. O ponto central é que para um investimento a longo prazo, a volatilidade representa uma oportunidade, pois graças a ela surgem oportunidades de comprar bem (barato) e vender bem (caro), permitindo retornos atrativos. Elas caminham juntas, sendo impossível dissociá-las. Porém, é preciso ter a disciplina de saber navegar na volatilidade ao longo do ciclo de investimento com o devido controle emocional. Para isso, é imprescindível aplicar as noções de finanças comportamentais, pois os vieses cognitivos são armadilhas naturais aguçadas pela volatilidade.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a><strong> </strong>Para manter esta disciplina, é fundamental fazer a dissociação entre preço e valor, volatilidade e risco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Disciplina de Processo e Alocação</span></strong></p>
<p>A estratégia de investimento da Cardinal Partners foca em um horizonte a longo prazo, buscando a máxima disciplina na aplicação dos conceitos que discutimos na seção anterior. Apresentamos, a seguir, uma análise crítica do nosso retorno, buscando testar a consistência do nosso processo em nossos três anos e meio de vida. Ela é feita recorrentemente.</p>
<p>A Figura 5 decompõe nosso retorno acumulado por atribuição de performance de cada empresa investida desde o início da nossa gestão do fundo em 23 de maio de 2016. Até hoje já investimos em 22 empresas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 5: </strong>Atribuição de Performance – desde o início da gestão</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18385" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig5-v4_web-1.jpg" alt="" width="900" height="418" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig5-v4_web-1.jpg 1613w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig5-v4_web-1-300x139.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig5-v4_web-1-1024x476.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig5-v4_web-1-768x357.jpg 768w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig5-v4_web-1-1536x714.jpg 1536w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" />Nota: De 23-mai-16 a 29-nov-19. Desconsidera casos que foram desinvestidos nas duas semanas após a data de início do fundo sob gestão Cardinal Partners.</span><br />
<span style="font-size: 10pt;">Fonte: Bloomberg e Cardinal Partners. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Disso derivamos a análise da Figura 6. As barras agora são apresentadas pelos círculos, mas com um detalhamento adicional: a atribuição de performance é feita por ciclo de investimento, não apenas por empresa (podemos ter mais de um ciclo de investimento em uma mesma empresa). Até hoje já tivemos 26 ciclos de investimento. O eixo X mostra o tempo de investimento dos ciclos e o eixo Y a nota de vantagem competitiva e eficiência operacional de cada empresa, que atribuímos a todas as empresas analisadas. Notas a partir de 2,5 são consideradas fortes, mas isso não quer dizer que empresas com notas inferiores não sejam boas. Como já falamos na Carta Cardinal 11 (Estratégia ≠ Eficiência Operacional)<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>, quando uma empresa não tem vantagem competitiva, seu fator crítico é eficiência operacional, e nós gostamos disso.</p>
<p>Esta análise indica que a duração média de nossos ciclos de investimento é próxima a 15 meses, sendo que 3/4 do retorno total acumulado do nosso fundo deriva de ciclos com duração superior a 20 meses, de um período total da nossa gestão do fundo de 42 meses até hoje.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 6: </strong>Atribuição de performance por ciclo de investimento</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18386 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig6_v5_web-1.jpg" alt="" width="1747" height="900" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig6_v5_web-1.jpg 1747w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig6_v5_web-1-300x155.jpg 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig6_v5_web-1-1024x528.jpg 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig6_v5_web-1-768x396.jpg 768w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig6_v5_web-1-1536x791.jpg 1536w" sizes="(max-width: 1747px) 100vw, 1747px" />Nota: De 23-mai-16 a 29-nov-19. Os círculos dourados preenchidos representam empresas já desinvestidas com atribuição de performance positiva, enquanto os dourados vazados, as empresas já desinvestidas com atribuição de performance negativa. Os círculos azuis preenchidos representam empresas atualmente investidas com atribuição de performance positiva, enquanto os azuis vazados, as empresas atualmente investidas com atribuição de performance negativa. Fonte: Bloomberg e Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Procuramos demonstrar, nesta carta, que o foco de investimento da Cardinal está nas empresas com negócios atrativos e com perspectivas atrativas de crescimento e geração de caixa, criando valor no tempo.</p>
<p>Nossa decisão de investimento se baseia nos fundamentos das empresas a longo prazo, não no momento de mercado ou da ação a curto prazo.</p>
<p>No primeiro caso, a volatilidade é uma oportunidade, no segundo, uma ameaça. Este círculo de competência exige muita disciplina de processo e controle emocional, daí nosso foco tão grande em finanças comportamentais.</p>
<p>Entendemos que esta forma de investir representa a nova mentalidade que começa a emergir no novo ambiente econômico e de investimento doméstico. O Brasil começa a despertar para o longo prazo. As evidências são de que vale a pena ter este foco para quem busca a criação de poupança de qualidade no tempo. Pelo menos esta é a convicção e os resultados da Cardinal, como mostra a Figura 7.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 7: </strong>Retorno do Fundo Cardinal Partners FIA em % – Média Móvel em Janelas</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-18359 size-large" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig7-1-1024x897.png" alt="" width="640" height="561" srcset="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig7-1-1024x897.png 1024w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig7-1-300x263.png 300w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig7-1-768x673.png 768w, https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/12/fig7-1.png 1451w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" />Fonte: Cardinal Partners e Bloomberg.<br />
</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #002142;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Marcelo Audi<br />
</span></strong></span><span style="font-size: 10pt;">Dezembro de 2019<strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"></span></strong></span></p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"><br />
 </a></span><span style="font-size: 10pt;">Vale a pena ressaltar que esse retorno veio pela brutal queda de juro e a consequente alta do preço de títulos públicos. As evidências são crescentes de que este ciclo está perto do fim.</span><br />
<span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> Analisamos o pêndulo do Ibovespa durante um período longo (2010-19). As conclusões são contundentes. Identificamos 14 pontos de extremos do pêndulo neste período. Na média, o pêndulo foi de um extremo ao outro a cada sete meses. A alta média foi de 44% e a queda média de 27%. Para mais detalhes veja aqui <a href="https://cardinalpartners.com.br/analise-da-cardinal-partners-sobre-o-pendulo-do-ibovespa/">https://cardinalpartners.com.br/analise-da-cardinal-partners-sobre-o-pendulo-do-ibovespa/</a><br />
</span><span style="font-size: 10pt;"><a href="#"> </a>“Nada segue em uma direção para sempre. Árvores não crescem até o céu. Poucas coisas vão a zero. E poucas coisas são mais perigosas para a saúde do investidor do que a insistência em extrapolar os eventos de hoje para o futuro.” MARKS, Howard. The most important thing: uncommon sense for the thoughtful investor. Columbia University Press, 2011, p.</span><br />
<span style="font-size: 10pt;"><a href="#"> </a>Detalhamos estas considerações na <a href="https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-12-resista-ao-marshmallow/">Carta Cardinal 12 – Resista ao Marshmallow</a> e na <a href="https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-13-camisa-de-forca/">Carta Cardinal 13 – Camisa de Força</a>.<br />
<a href="#"><span style="font-size: 10pt;"> </span></a>“A história apresenta casos de empresas geridas com elevado nível de eficiência operacional que desfrutaram de retornos econômicos superiores aos dos concorrentes por períodos prolongados, mesmo sem desfrutarem de vantagens competitivas identificáveis”. <a href="https://cardinalpartners.com.br/carta-11/">Carta Cardinal 11</a>, p. 1.</span></div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carta Cardinal 14 &#8211; O Gorila Invisível</title>
		<link>https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-14-o-gorila-invisivel/</link>
					<comments>https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-14-o-gorila-invisivel/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cardinal Partners]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Apr 2019 12:32:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cardinalpartners.com.br/?p=17736</guid>

					<description><![CDATA[Em meados de 2017, começamos nosso ciclo de investimento em Linx, empresa de tecnologia focada no varejo. A economia permanecia fraca, o varejo também. Mas nossa decisão não se baseou nisso, e sim em suas novas vias de crescimento, que agora começam a criar grande valor.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="vc-row">
<div class="vc-column">
<div class="vc-column"><span id="more-17736"></span></div>
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</div>
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<div class="vc-column">
<div class="page" title="Page 1">
<div class="layoutArea">
<div class="column">
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Cegueira por desatenção</span></strong></p>
<p>Numa importante pesquisa, um vídeo mostra dois grupos de jovens (um de camiseta preta, outro de camiseta branca) em movimento, passando bolas de basquete entre si <a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>. O pesquisador pede ao observador que conte o número de passes dos jovens de camiseta branca. Durante os passes, um gorila entra no grupo, vira para a câmera, bate no peito e se retira. Surpreendentemente, cerca de 50% das pessoas pesquisadas não veem o gorila. Isso se deve a um traço da mente humana: quando as pessoas focam num aspecto do seu campo de visão, tendem a não perceber objetos inesperados, em muitos casos salientes e potencialmente importantes. A visão torna-se seletiva. É a chamada cegueira por desatenção<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>. Este fenômeno tem graves implicações para decisões de investimento, bem como para decisões estratégicas das empresas.</p>
<p>No mundo dos investimentos em ações, consideramos como cegueira por desatenção quando os investidores focam em fatores efêmeros de curto prazo, deixando de considerar fatores estruturais que definirão o sucesso da empresa nos anos futuros. Por exemplo, os investidores tendem a reagir negativamente ao resultado trimestral da empresa pior que o esperado pelo consenso, mesmo que sua estratégia de negócio esteja melhorando.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Evitando a cegueira</span></strong></p>
<p>Nós buscamos minimizar o risco da cegueira por desatenção de duas maneiras. Primeiro, focamos nos fatores estruturais da sua operação que nos indicarão a capacidade dela gerar caixa sustentavelmente num horizonte de tempo relativamente longo – pelo menos três anos. É daí que perceberemos se a empresa está a caminho de criar ou destruir valor.</p>
<p>Esses fatores incluem a qualidade da sua estratégia de negócio, suas vantagens competitivas, o ambiente competitivo (se hostil ou estável), sinais de novos entrantes com novos modelos de negócio que representem ameaças competitivas, qualidade da execução da estratégia pelos executivos (uma boa estratégia com uma má execução destrói valor), dinâmica de governança corporativa nos seus três blocos (acionistas, conselho de administração e executivos), entre outros fatores.</p>
<p>A segunda maneira de evitar a cegueira é seguirmos um processo formal de investimento, que inclui checklists obrigatórios. Dessa forma, minimiza-se o risco de a análise tornar-se seletiva apenas no que desperta mais nossa atenção, garantindo um aspecto fundamental: a visão do conjunto. Por exemplo, se estamos inclinados a investir<br />
numa empresa, buscamos opiniões contrárias (negativas) às nossas. Tais informações poderá nos trazer um alerta sobre um risco que não havíamos percebido.</p>
<p>Nesse sentido, explicamos a seguir nossa estratégia de investimento em Linx que, iniciada em meados de 2017, baseou-se na convicção em relação às novas vias de crescimento, apesar da fraqueza do varejo (sua base de receita) numa economia ainda combalida.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 1:</strong> Evolução do preço da ação de Linx vs o IBX-100 –<br />
Desde o início do ciclo de investimento da Cardinal Partners</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-17744 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/04/Fig1_CardinalP_Carta14-1.jpg" alt="" width="698" height="338" />Fonte: Bloomberg e Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Por que gostamos do setor de tecnologia?</span></strong></p>
<p>O setor de tecnologia nos atrai por dois vetores de crescimento. Um deles é a baixa produtividade da economia brasileira, que sugere uma contínua e crescente demanda por tecnologia pelo menos nos próximos dez anos. Em adição, a penetração de tecnologia cresce em ritmo exponencial na vida das pessoas e nas empresas. Nestas, a tecnologia deixa de ser uma área de suporte, passando a integrar o coração da estratégia de negócios. Por exemplo, inteligência artifi cial no atendimento a clientes em saúde, retail intelligence para maximizar estratégias comerciais no varejo e aprendizagem adaptativa em educação, entre outros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Por que gostamos de Linx?</span></strong></p>
<p>A Linx é uma empresa de software especializada no varejo, no qual é líder isolada, com uma participação de mercado de aproximadamente 40%. Gostamos dela por duas razões: (A) fortes vantagens competitivas e (B) uma estratégia de negócio que tende a gerar valor. Sobre a primeira razão (A), no Moat Score <a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>, Linx aparece na terceira posição, com nota 6,0 (consideramos como boas notas a partir de 3,0), como indica a Figura 2. Em particular destacamos três vantagens competitivas. Primeiro, ela desfruta de um forte switching cost , ou um elevado custo de mudança para o cliente pelo seu alto grau de dependência dos serviços da Linx. Segundo, ela tem uma combinação de escala e distribuição robustas. Ela é líder absoluta em varejo, com cerca de 40% de market share, atuando com uma distribuição própria com alto grau de especialização, num setor em que o custo de aquisição de cliente é elevado pela sua capilaridade. Terceiro, ela tem um elevado know how de aquisição de novas empresas, que tem sido um importante fator de sucesso na sua história de crescimento. Desde o seu IPO em 2013, a empresa fez 16 aquisições, somando um desembolso de R$ 462 milhões<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>, para uma empresa que faturou R$ 784 milhões em 2018.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 2:</strong> Moat Score da Cardinal Partners (pontos)</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-17739 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/04/fig2_cardinalp_carta14.jpg" alt="" width="700" height="344" />Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em relação à segunda razão de gostarmos de Linx (B), sua estratégia de negócios não apenas fortalece as vantagens competitivas que possui, como cria novas vias de crescimento, às vezes penetrando novos mercados adjacentes, como no atual caso de adquirência, como detalharemos na próxima seção.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">A estratégia de negócios da Linx</span></strong></p>
</div>
<p>O negócio básico da empresa é o serviço de software de gestão (ERP) e software para pontos de venda (POS). Daí resulta uma das suas mais fortes vantagens competitivas, o switching cost . Se por um lado ERP e POS apresentam uma forte vantagem competitiva, por outro, elas também indicam duas ameaças. Primeiro, a receita desses produtos tende a crescer a taxas baixas ou até negativas (especialmente POS, que tende a desaparecer pela transformação tecnológica pela qual passa o varejo). Em adição, tais produtos tendem a se comoditizar, enfraquecendo seu switching cost com o cliente.</p>
<p>Por isso, a estratégia de negócio da empresa tem focado em oferecer soluções adicionais de maior valor agregado e que complementam seus serviços básicos, abraçando de maneira mais ampla seu cliente, preservando assim sua força competitiva, já que é difícil um concorrente ser capaz de oferecer um leque de produtos tão amplo como o dele. Isso traz a oportunidade de aumento de penetração no cliente (maior share of wallet ) pela possibilidade de venda cruzada entre o serviço básico e os de maior valor agregado. Se os serviços básicos permitem ao cliente manter sua eficiência operacional, os novos serviços vão além: ajudam o varejista a alavancar suas vendas.</p>
<p>Sumarizamos essas novas ofertas de soluções em três blocos. O primeiro é a gestão de multicanalidade (omnichannel ), que permite ao varejista fazer a gestão integrada do canal físico e do e-commerce. Exemplos: o consumidor compra pela internet e prefere retirar na loja; numa venda pela internet o varejista precisa definir de qual de seus estoques enviará o produto (de uma loja física ou de um de seus centros de distribuição), entre outras. Esse produto gera dois importantes benefícios de eficiência: de gestão de estoque e tributária. Pela sua elevada complexidade, é uma solução que tende a fortalecer o vínculo do cliente com a Linx.</p>
<p>O segundo bloco é o de meios de pagamento. Desde 2017, está em curso um acordo entre Linx e a empresa de adquirência Rede, uma das incumbentes, pela qual se busca uma venda cruzada: a Rede tem a oportunidade de aumentar sua penetração na base de clientes da Linx com o aluguel de sua maquininha; a Linx tem a oportunidade de aumentar sua penetração na base de clientes da Rede, vendendo suas soluções de software . Em outubro de 2018, a Linx entrou no mercado de adquirência com a estratégia Linx Pay, que discutiremos adiante.</p>
<p>O terceiro bloco é retail intelligence , serviço pelo qual a Linx usa big data para oferecer ferramentas de otimização de estratégia de venda tanto para o varejista como para o fabricante. Por exemplo, uma drogaria poderá saber o perfil de consumo de cada loja sua, construindo promoções específicas para aquele ponto de venda; o fabricante poderá ter acesso ao comportamento de compra por produto por ponto de venda, usando esta informação para melhorar seu mix por loja e montar promoções mais eficazes por loja. A Linx tem uma vantagem natural neste serviço pela sua grande presença no varejo, dando-lhe acesso a uma base de dados maior do que seus concorrentes.</p>
<p>Esses três blocos de serviços já representam cerca de 20% da receita da empresa, mesmo estando em estágio relativamente inicial de desenvolvimento, tendo o potencial de ultrapassar 100% nos próximos anos. Todas elas são vias desafiadoras pelo elevado nível de competição, sendo crítica a qualidade da execução e o time to market (uma nova solução oferecida ao cliente com atraso em relação aos concorrentes pode ser inócua, e vice-versa).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">A estratégia Linx Pay em meios de pagamento</span></strong></p>
<p>Nos últimos dez anos, o ambiente competitivo no mercado de adquirência vem passando por profundas transformações, em que as vantagens competitivas mudaram. Até dez anos atrás, havia duas principais vantagens competitivas: barreiras regulatórias e distribuição via agência bancária de bancos comerciais. Agora, as vantagens passaram a ser a capacidade de oferta de soluções de tecnologia integradas para o varejista e distribuição por outros canais, não só por agência bancária (que permanece indiscutivelmente um canal competitivo). Antes, o varejista era restrito na sua escolha, agora ele ganhou muito poder de barganha.</p>
<p>O que era um mercado restrito ao serviço de adquirência – captura de transação com cartões de lojistas e envio de informações para as bandeiras – vem se transformando num mercado integrado de meios de pagamento com elevado conteúdo tecnológico, de onde podem surgir operações completas de bancos digitais. O varejista não se satisfaz apenas com uma maquininha que funcione e com serviços bancários básicos como antecipação de recebíveis. Ele busca também tecnologia que lhe ofereça eficiência no seu negócio e o ajude a alavancar suas vendas, ou seja, tecnologia para uma operação de varejo.</p>
<p>Em retrospectiva, até 2009, os incumbentes em adquirência eram Cielo (controlado por Bradesco e Banco do Brasil), tendo a exclusividade na captura de cartões Visa, e Rede (controlada pelo Itaú), com exclusividade na captura de cartões Mastercard. Naquele ano, o Banco Central derrubou esta barreira regulatória. Rapidamente, surgiu um terceiro incumbente, a Getnet, controlada pelo Santander, já que a distribuição por agência bancária permanecia uma vantagem importante.</p>
<p>A partir de 2015, começou a ocorrer a expansão de novos entrantes com novos modelos de negócios, indicando o enfraquecimento relativo da vantagem de distribuição por agência bancária (Figura 3).<br />
A PagSeguro inaugurou um novo modelo de negócio oferecendo a venda de maquininha (ao invés de aluguel) e fazendo distribuição digital, alavancando-se da forte presença de seu controlador UOL neste canal. Isso viabilizou o segmento de microvarejistas, que estão fora do sistema bancário (80% deles não têm conta bancária). A Stone entrou no mercado montando uma rede de distribuição própria, com foco no atendimento de qualidade e com resposta rápida ao cliente, além de um alto teor de tecnologia nas soluções oferecidas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 3:</strong> Market share do mercado de adquirência</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-17740 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/04/fig3_cardinalp_carta14.jpg" alt="" width="700" height="384" />Fonte: Cielo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Neste contexto, a Linx Pay entra com duas características que consideramos altamente competitivas: uma distribuição já existente no varejo (mais de 100 mil varejistas que já usam um leque de produtos de software , ao qual a adquirência se soma); e uma grande capacidade de desenvolver tecnologia para o varejo, sua especialização. Suas soluções oferecidas em adquirência tendem a ser competitivas, pois ela já tem a expertise de serviços complementares como TEF, conciliação e split , entre outros .</p>
<p>Com isso, a entrada da Linx no mercado de adquirência fortalece suas vantagens competitivas como um todo, pois ela consegue apresentar uma oferta integrada ao varejista, incluindo desde o serviço básico de ERP e POS, passando por novas soluções como onmichannel e retail intelligence , e agora adquirência. Ao mesmo tempo, Linx Pay representa uma nova via de crescimento robusta em tamanho, com sinergia por ser um mercado adjacente, e com retorno marginal elevado por já ter acesso ao cliente. Por isso, vislumbramos uma criação de valor relevante desta via nos próximos 3 a 5 anos.</p>
<p>A acirrada competição existente no mercado de adquirência não diminui a atratividade desta estratégia para a Linx, pois hoje ela não tem nenhuma receita deste segmento. Logo, desde que o mercado continue a existir, mesmo com preços e margens menores, representará uma nova receita para Linx. O principal ponto a monitorar nesta estratégia agora é sua execução. Será preciso treinar e adequar a mentalidade do seu canal de distribuição para vender um produto diferente – o serviço de adquirência – além de ajustar a forma de remuneração dos executivos e vendedores para incentivos efi cientes.</p>
<p>Reiteramos que adquirência é apenas uma das diversas novas vias de crescimento da empresa. Consideramos omnichannel e retail intelligence como dois outros vetores atrativos, ainda em estágios iniciais de desenvolvimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">A estratégia de investimento da Cardinal Partners em Linx</span></strong></p>
<p>Iniciamos nosso ciclo de investimento em Linx em meados de 2017. Enquanto predominava ceticismo quanto à recuperação do setor de varejo, prejudicando sua operação básica, fi cávamos crescentemente otimistas com as possibilidades das novas vias de crescimento – omnichannel, meios de pagamento e retail intelligence. Em particular, desde 2015, elas começaram a mostrar resiliência no seu crescimento de receita: a receita de cross sell compensava a fraca receita recorrente daquele momento (Figura 4), garantindo uma taxa de crescimento de receita de dois dígitos, mesmo sendo mais adverso momento econômico do País.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 4:</strong> Taxa de crescimento da receita bruta de Linx – composição</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-17741 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/04/fig4_cardinalp_carta14.jpg" alt="" width="700" height="308" />Nota: Outros inclui (1) crescimento de clientes ativos, (2) novos clientes e (3) abertura líquida de loja. Fonte: Linx.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Este foi o gorila em que focamos e nos baseamos para investir originalmente, tendo a paciência de entender que a condição ainda adversa do varejo (o passe de bolas) evoluiria no seu tempo para uma melhora cíclica nos anos seguintes. O lançamento de Linx Pay ocorreu no 4T18, adicionando atratividade e tração a esta estratégia pela sua magnitude.</p>
<p>Durante os três anos a partir de 2019 vemos os seguintes ventos de cauda para a empresa: Linx Pay tende a ganhar tração, transformando-se numa relevante linha de negócio em tamanho; omnichannel tende a se expandir (atualmente os primeiros contratos com grandes varejistas <a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a> ainda estão em fase de implantação de cerca de oito meses); retail intelligence permanece pequeno, mas acreditamos que crescerá gradualmente; a melhora cíclica da economia acelerará o crescimento de todas suas linhas de negócio, destravando a demanda reprimida por serviços de tecnologia dos últimos anos.</p>
<p>Uma outra via de crescimento – expansão geográfica – nos anima menos, por entendermos que o negócio de tecnologia tem particularidades locais. De qualquer forma, sua importante entrada no México em 2017 (comprando a Synthesis) não é desprezível, mesmo ainda não mostrando resultados impactantes ou sinais mais concretos de grandes oportunidades de cross sell com sua operação brasileira.</p>
<p>O setor de tecnologia apresenta a terceira maior contribuição para o retorno dos investimentos acumulados da Cardinal Parnters até o presente (Figura 5), que, além de Linx, inclui Totvs, cujo ciclo de investimento teve início no fim de 2016.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 5:</strong> Atribuição de performance por setor</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-17742 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2019/04/fig5_cardinalp_carta14.jpg" alt="" width="700" height="362" />Nota: Desde o início da gestão em 23-mai-16. Fonte: Cardinal Partners.<br />
</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #002142;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Marcelo Audi<br />
</span></strong></span><span style="font-size: 10pt;">Abril de 2019<strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"></span></strong></span></p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"><br />
</a></span><span style="font-size: 10pt;"> https://youtu.be/vJG698U2Mvo.<br />
<a href="#1"></a> CHABRIS, Christopher and SIMONS, Daniel. The Invisible Gorilla &#8211; And Other Ways our Intuitions Deceive Us . Crown Publisher, 2010, p-6. Por essa pesquisa, os pesquisadores ganharam o prêmio Nobel de psicologia em 2004.<br />
</span><span style="font-size: 10pt;"><a href="#"> </a>Ranking de vantagens competitivas da Cardinal Partners, composta por 5 fatores de competição,<br />
cada um podendo ter uma nota entre zero e 2.<br />
<a href="#"></a> Em adição, há R$ 214 milhões de earn out , pagamento complementar em função de atingimento de metas para os sócios vendedores que permaneceram na operação.<br />
<a href="#"></a> TEF (transferência eletrônica de fundos) é um sistema que viabiliza as transações fi nanceiras de maneira eletrônica numa venda com cartão, inclusive integrando a emissão de nota fi scal eletrônica e envio de dados para a Receita Federal, proporcionando agilidade e segurança para o varejista; o serviço de conciliação confere o extrato da venda feita pela maquininha do adquirente com o extrato bancário, evitando fraudes; o serviço de split divide a liquidação das transações entre seus recebedores de maneira segura (por exemplo, o direcionamento da conta num restaurante entre o estabelecimento e o garçom como gorjeta, ou o envio da parte do valor de uma venda online de market place devido ao fornecedor do produto).<br />
</span><span style="font-size: 10pt;"><a href="#"></a> Boticário, Centauro, Hering, Marisa, Ri Happy, DPSP, Restoque, YouCom, AMC (maior gestor de marcas de moda da América do Sul, incluindo Colcci, Sommer, Forum e Triton, entre outras).</span></div>
</div>
</div>
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		<title>Carta Cardinal 13 &#8211; Camisa de Força</title>
		<link>https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-13-camisa-de-forca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cardinal Partners]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Aug 2018 13:56:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cardinalpartners.com.br/?p=17398</guid>

					<description><![CDATA[Acreditamos que apenas com um processo de investimento formal conseguimos controlar nossos vieses e não cometer erros de investimento quando nos encontramos em cenário de pânico ou de euforia. Destacamos alguns procedimentos do processo da Cardinal Partners.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="vc-row">
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<p>Como colocar em prática o autocontrole no caso de investimento em ações? Com essa pergunta, concluímos a Carta Cardinal 12 (“Resista ao Marshmallow”), prometendo explicar na carta seguinte como buscamos fazer isso na Cardinal, dado que 2018 seria um ano ditado pelo calendário eleitoral, podendo haver momentos extremos de pânico e euforia. E que era imprescindível controlarmos as emoções para tirarmos proveito da volatilidade, do contrário, ela tiraria proveito de nós.</p>
<p>Em nosso entendimento, a única maneira de evitarmos o ímpeto em uma decisão de investimento é seguirmos procedimentos pré-definidos que nos deem disciplina e, principalmente, sirvam como “camisas de força”, nos blindando contra vieses humanos e preservando nossa racionalidade, especialmente em momentos extremos. Em outras palavras, ter um processo formal, seguindo-o com rigor, sem exceção. Com esse espírito, destacaremos sucintamente alguns procedimentos que compõem nosso processo de investimento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Tudo começa com o mandato e as características do fundo</span></strong></p>
<p>A Cardinal Partners tem apenas uma estratégia de investimento: investir em ações de empresas brasileiras, numa estratégia long-only (não alavanca nem monta posição short), tendo um horizonte de investimento de longo prazo (cerca de três anos) e seguindo a teoria de value investing. O foco é um traço fundamental no sucesso de um investimento.</p>
<p>Nosso fundo de investimento tem um prazo de resgate de 60 dias. Isso permite-nos alinhar o interesse do investidor com o da nossa estratégia de investimento, e manter o foco no longo prazo, evitando distrações de curto prazo.</p>
<p>Somos adeptos à teoria de value investing, que analisa os fundamentos sustentáveis da empresa ao longo do tempo. Tais fundamentos estão associados a estratégia de negócio, vantagens competitivas, ambiente competitivo, rentabilidade do negócio, qualidade de governança corporativa e eficiência operacional, entre outros. Traduzimos estes fundamentos em premissas quantitativas, que formarão nosso modelo de avaliação, pelo qual atribuímos um valor à empresa. Investimos quando há margem de segurança, ou seja, um desconto entre o preço de mercado e o valor da ação que seja suficientemente robusto para preservar o capital investido, considerando os riscos envolvidos. A convergência do preço para o valor pode demorar, às vezes, alguns anos.</p>
<p>Destacamos três particularidades de nosso estilo de investimento. Primeiro, nosso espectro de análise vai desde ações large-cap até ações small-cap, de maneira indistinta. A diferenciação ocorre apenas na alocação, em função do risco de liquidez da ação. A razão é que, como as pesquisas demostram, distorções relevantes entre preço e valor podem ocorrer igualmente numa large-cap e numa small-cap.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a> Segundo, consideramos fatores macroeconômicos e políticos, que permeiam toda nossa análise. Quaisquer empresas se inserem num contexto que precisa ser entendido. Terceiro, damos uma grande importância a finanças comportamentais, tanto ao longo da análise como no momento final da decisão de investimento.</p>
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<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">O processo</span></strong></p>
<p>O processo de investimento começa com a originação de uma ideia. Para isso, combinamos um screening quantitativo com considerações estratégicas e estruturais de um setor ou empresa, passando por filtros até chegarmos em um short list de empresas que nos parecem atrativas. Isso inclui fatores atenuantes ou agravantes para nossa propensão para a análise. Por exemplo, somos menos propensos a empresas préoperacionais ou com histórico de dados curto (comum em IPOs, ou listagem de novas empresas na Bolsa), menor do que cinco anos. Por outro lado, o fator secular de envelhecimento da população aliado à tendência de consolidação setorial nos atrai para a cadeia de saúde. Analogamente, a baixa produtividade da economia brasileira nos sugere uma demanda cativa por duas cadeias, tecnologia e educação, supridoras naturais de soluções deste grave problema.</p>
<p>Desta maneira, chegamos a um short list de empresas, onde começamos um trabalho preliminar de análise, em que buscamos responder a duas questões: O negócio da empresa parece bom? O preço da ação da empresa parece oferecer margem de segurança? Caso esta combinação seja favorável, seguimos para o estágio da análise profunda. Tanto na análise preliminar quanto na profunda, passos formais devem ser seguidos. Ao longo do processo um princípio fundamental deve ser respeitado: é preciso haver convergência. Por exemplo, se achamos que a estratégia de uma empresa é boa e oferece vantagem competitiva, seu retorno econômico deve ser elevado. Do contrário, há uma contradição: podemos estar equivocados quanto à atratividade do negócio. Divergências como estas precisam ser sanadas antes de avançarmos.</p>
<p>Exemplificamos a seguir alguns dos fatores sobre os quais nos debruçamos na análise. É importante salientar que ela consiste tanto de fatores qualitativos como quantitativos, que se combinam.</p>
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<ul>
<li><strong>Estratégia de negócio:</strong>  a empresa parece ter vantagens competitivas? Estas vantagens parecem estar se fortalecendo ou enfraquecendo? Há novos riscos, incluindo tecnológico, de mudança de hábito do cliente, regulatório, econômico ou outro?</li>
<li><strong>Análise do retorno econômico da empresa:</strong> quais componentes do retorno econômico da empresa se destacam historicamente? Eles demonstram disciplina de alocação de capital? A evolução deles é compatível com a evolução da estratégia da empresa nos últimos dez anos? O retorno econômico confirma nossa opinião qualitativa sobre as vantagens competitivas da empresa?</li>
<li><strong>Ambiente competitivo:</strong>  como evoluiu nos últimos cinco anos, qual a condição atual e o que vislumbramos nos próximos três anos? Parece haver um equilíbrio competitivo ou uma disputa acirrada e prolongada que prejudica o retorno econômico de todos os participantes?</li>
<li><strong>Governança corporativa:</strong>  em qual das três situações a empresa se apresenta? Primeiro, o extremo de ter um grupo de controle definido que exerce uma forte ingerência sobre o conselho de administração e os executivos; segundo, o extremo oposto de não ter um grupo de controle definido (public corporation), em que há a figura de um CEO com forte ingerência sobre o conselho e os acionistas; terceiro, um bom equilíbrio de forças entre os três blocos, acionistas, controladores e executivos. Os critérios de remuneração dos executivos e conselheiros sugerem uma cultura corporativa com viés curtoprazista e focada no crescimento de receita, ou voltada para o longo prazo e o retorno econômico?</li>
<li><strong>Avaliação:</strong>  uma vez entendido o modelo de negócio da empresa e seu ambiente competitivo, fazemos a modelagem do seu desempenho econômico e financeiro, buscando identificar sua geração de caixa distribuível, que servirá de base para chegarmos ao valor que atribuímos a ela.</li>
</ul>
<p>O resultado final deste longo processo de análise é a decisão de investir ou não.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Alocação</span></strong></p>
<p>O passo final do nosso processo é, uma vez feita a decisão de investir, definir a alocação. Este é um dos momentos mais arriscados de todo o processo de investimento, pois pode haver forte influência dos vieses humanos. Por exemplo, contagiado pelo entusiasmo com a análise feita, definir uma alocação elevada, quando fatores de risco sugerem mais prudência. Ou, ao contrário, no caso de uma empresa a qual o consenso de mercado tenha uma grande aversão, definir uma alocação menor do que o sugerido pela forte margem de segurança, influenciado pelo calor do momento negativo.</p>
<p>Pode ainda haver imprudência na alocação em empresas cujas ações têm menor liquidez, incorrendo no risco de liquidez da carteira, que é uma função do prazo de resgate e do tamanho do fundo.</p>
<p>Para evitarmos tais armadilhas e imprudências, seguimos algumas regras. A primeira é termos limites formais de alocação por empresa, que são de um mínimo de 3% a um máximo de 20%. A razão para se ter um mínimo é evitar ineficácia em gerar retorno no investimento: uma alocação de 0,5%, por exemplo, gerará pouca contribuição de performance, por melhor que seja o retorno do investimento individual, mas exigirá igual disciplina e esforço de processo de investimento. Desse modo, toda alocação será relevante para o retorno total da carteira.</p>
<p>A segunda regra é o de alocação em caixa. Ela só pode ocorrer em duas situações: quando não houver oportunidades atrativas de investimento no momento, ou quando estivermos em transição de investimentos, desinvestindo rapidamente de uma empresa e investindo gradualmente em outra. Como resultado, é terminantemente proibido alocar em caixa com a mentalidade de market timing (por exemplo, desejar aumentar o caixa se acharmos que a reforma da previdência não passará e provocará uma queda do mercado nos meses seguintes, ou reduzir o caixa no caso contrário). A alocação em caixa é output em nosso critério de alocação, após termos endereçado as oportunidades de investimentos e calibrado as respectivas alocações.</p>
<p>A terceira regra é que a alocação em caixa será investida apenas em ativos atrelados ao CDI com liquidez diária. É terminantemente proibido qualquer tipo de investimento ativo em renda fixa nesta alocação. Isso não faz parte do mandato e da vocação da Cardinal Partners, representando uma fonte de distração e imprudência.</p>
<p>Explicadas estas regras, chegamos agora ao método de alocação por empresa. Como dissemos, ela pode ser de 3-20%. Para minimizar o risco dos vieses humanos, seguimos dois passos formais. Primeiro, usamos um scorecard para estreitar este intervalo. Atribuímos notas para fatores relevantes de fundamento analisados ao longo do processo, que são de quatro categorias: aspectos específicos da empresa (incluindo qualidade da estratégia, governança corporativa, disciplina de alocação de capital); riscos estruturais (incluindo riscos binários como câmbio e preço de commodities, regulatórios, concentração de clientes, exposição a governo, entre outros); macroeconômicos (incluindo considerações sobre os ciclos econômico, do setor e da empresa), e margem de segurança. Como resultado do scorecard, chegamos a uma alocação indicativa, ou seja, uma região mais restrita do intervalo possível de alocação. A partir daí o número final é definido. Este método demonstra coerência e consistência.</p>
<p>Como derradeiro passo, a alocação definida é submetida a um teto associado ao risco de liquidez da ação. Por exemplo, se a alocação do passo anterior for definida em 10%, mas o teto associado ao risco de liquidez da ação for 7%, predominará o último. Ele é soberano. Assim, a liquidez da carteira estará sempre compatível com o prazo de resgate do fundo.</p>
<p>Nosso comitê de investimento ocorre semanalmente, quando é feita a discussão e revisão dos investimentos realizados e suas alocações. Buscamos sempre estabelecer premissas conservadoras. Num caso benigno, a revisão de um valor para cima pode ocorrer em duas situações: quando a empresa consolida uma uma execução favorável, fazendo com que nossas premissas, antes conservadoras, provem-se excessivamente conservadoras; ou quando revisamos nosso julgamento sobre a criação de valor de sua estratégia. Isso pode ocorrer por alguns fatores, incluindo ganhos de sinergia/cross sell maiores que o esperado, definição de uma nova via de crescimento, uma aquisição ou uma venda de ativo, e nossa nossa constatação de que o crescimento orgânico da estratégia atual possa ser mais robusto, entre outros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">O exemplo de CVC</span></strong></p>
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<p>Ilustramos a aplicação de nosso processo de investimento mostrando o ciclo de investimento em CVC. A figura 1 apresenta a evolução do preço da ação da empresa e, nos círculos, as principais mudanças de alocação feitas.</p>
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<p style="text-align: center;"><strong>Figura 1:</strong> CVC – Preço da ação (R$/ação) e nossas principais decisões de alocação</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17400 size-large aligncenter" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2018/08/grafico1-01-1024x512.jpg" alt="" width="640" height="320" />Fonte: Cardinal Partners<br />
</span></p>
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<p>Em maio de 2016, iniciamos a gestão do Cardinal Partners FIA com uma alocação de 8% em CVC. Apesar da condição econômica extremamente adversa naquele momento (profunda recessão em curso), a margem de segurança era robusta, mesmo com premissas extremamente conservadoras. Do lado de fundamentos, tínhamos a convicção de que seu modelo de negócio apresentava fortíssimas vantagens competitivas, incluindo escala (permitindo-lhe poder de preço perante os fornecedores, particularmente, hotéis e empresas aéreas), distribuição com capilaridade (lojas físicas) e marca. Em adição, e particularmente importante naquele momento, seu modelo de negócio lhe permitia migrar de pacotes internacionais, predominantes antes da recessão iniciada em 2015, para pacotes domésticos, que, apesar de terem um ticket mais baixo, ofereciam margens mais altas. Tal migração permitiu uma solução de trade down para seus clientes, suavizando a piora cíclica que se esperaria de uma empresa de turismo. Ademais, a fraqueza/morte de muitos concorrentes vinha lhe proporcionando ganho de market share continuado.</p>
<p>Em agosto de 2016, aumentamos nossa alocação de 8% para 17%, quando ainda predominava um elevado ceticismo no mercado em se investir numa empresa cíclica doméstica como CVC. Tínhamos revisado seu valor para cima, pois algumas premissas se provaram excessivamente conservadoras. Além disso, o preço da ação havia caído cerca de 20% no mês anterior, com o anúncio da oferta de venda de 2/3 do bloco de controle da empresa, que era de 69% do capital, detida pelo fundo de participação Carlyle (45%) e pelo fundador Guilherme Paulus (24%). Houve a clássica preocupação curtoprazista de que o tamanho da oferta, que acabou sendo de R$1,23 bilhão, exercesse uma pressão negativa relevante no preço da ação por algum tempo, além de dúvidas sobre a governança corporativa da empresa no futuro, já que se tornaria uma public corporation.</p>
<p>Em nossa avaliação, aquela era uma oportunidade única de compra por algumas razões. Primeiro, a pressão de curto prazo no preço da ação não era um problema para nós, por termos um horizonte de três anos. Segundo, esperávamos que o salto do free float da ação atrairia novos investidores que, antes, tinham restrição de liquidez da ação (de fato, a sua liquidez é hoje maior do que naquele momento em três vezes em número de ações negociadas e em mais de cinco vezes em valor). Isso tende a ser um catalisador de médio prazo para que o preço convirja para o valor, no caso de empresas com bons fundamentos. Terceiro, nossa análise demostrou que este evento estava inserido num contexto de evolução de governança, mesmo com o natural desconforto de curto prazo. Quarto, a estratégia da empresa continuava a melhorar, incluindo aquisições que nos pareciam ser sinérgicas. Percebíamos que o risco de revisão de valor continuava a ser para cima, apesar da nossa revisão recente.</p>
<p>Em fevereiro-março de 2017, reduzimos nossa alocação de 20% para 12%, por disciplina de calibragem de nosso modelo de alocação em relação à margem de segurança, mesmo cientes de que as premissas ainda tinham mais probabilidade de revisão para melhor adiante. Neste momento, a empresa começava a ganhar atratividade pelo mercado, que passava a se convencer de sua resiliência, combinada com a percepção de que o pior da recessão econômica poderia estar passando.</p>
<p>Durante o primeiro trimestre de 2018, desinvestimos completamente de CVC, de uma alocação de 14% no início do ano, por disciplina de nosso modelo de alocação, dada a ausência de margem de segurança. Havíamos feito uma última revisão de valor para cima, considerando premissas mais realistas, especialmente em relação a sinergias das últimas aquisições e crescimento orgânico. Continuávamos a gostar da sua estratégia e da sua eficiência operacional. Ressaltamos que, desde o segundo semestre de 2017, a empresa parece ter se tornado a queridinha do mercado. Este contexto é particularmente relevante de ressaltar para demonstrarmos a importância de um processo disciplinado. Gostar dos fundamentos da empresa e ela ser a moda do momento são ingredientes perigosíssimos para se deixar levar pelo viés do calor do momento, perdendo-se a prudência na alocação. Finalmente, em junho de 2018, voltamos a investir na empresa com uma alocação de 3%, após o preço da ação ter caído quase 30% em alguns meses, voltando a apresentar uma margem de segurança suficiente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #002142;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Marcelo Audi<br />
</span></strong></span><span style="font-size: 10pt;">Agosto de 2018<strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"></span></strong></span></p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"><br />
</a> Uma ideia largamente difundida é a de que uma ação small cap oferece maior oportunidade e retorno por ser menos conhecida e monitorada, portanto, sendo precificada abaixo do seu valor. Por outro lado, uma ação large cap seria corretamente precificada. Consideramos esta lógica falaciosa, sendo influenciada pela hipótese dos mercados eficientes. Finanças comportamentais sugerem que, na maior parte do tempo, em geral, os preços de mercado encontram-se distorcidos de seu valor, inclusive as blue chips.</span></div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carta Cardinal 12 &#8211; Resista ao Marshmallow</title>
		<link>https://cardinalpartners.com.br/carta-cardinal-12-resista-ao-marshmallow/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cardinal Partners]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Feb 2018 22:40:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cardinalpartners.com.br/?p=17249</guid>

					<description><![CDATA[Em 2018, o calendário político será a principal âncora para expectativa e decisões de consumidores, empresas e investidores no Brasil. Enquanto isso, a economia oferece alguns confortáveis colchões.
<br>
Será um ano marcado pela volatilidade. Mais do que nunca será preciso controlar nossas emoções e assim tirarmos proveito dela, do contrário, ela tira proveito de nós. Resista ao Marshmallow.
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="vc-row">
<div class="vc-column">
<div class="vc-column"><span id="more-17249"></span></div>
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<div class="page" title="Page 1">
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<div class="column">
<p>Em 2018, o calendário político será a principal âncora para expectativas e decisões de consumidores, empresas e investidores no Brasil. O novo presidente eleito assumirá um país que apresentará colchões e desafios. Do lado econômico, os colchões são a inflação benigna, juros baixos em comparação com a história, contas externas robustas e o crescimento econômico em recuperação. O desafio segue do lado fiscal: há um encontro marcado com a reforma previdenciária e outros ajustes fiscais. Do lado político, o excesso de fragmentação partidária precisará encontrar o caminho de maior eficiência de articulação no Congresso, diante de uma agenda ampla que precisará ser endereçada. Tudo isso regado à continuidade de tremores vindos da Operação Lava Jato. Um presidente populista ou com baixa capacidade de articulação política com o Congresso pode causar um retrocesso.</p>
<p>Mais do que nunca, será preciso navegar neste mar com dois instrumentos. O primeiro é o lúcido entendimento dos fundamentos e de como eles evoluem. O segundo, é o devido controle das emoções, pois podem haver momentos de pânico ou de euforia. Se controlamos nossas reações impulsivas, tiramos proveito da volatilidade, do contrário, a volatilidade tira proveito de nós, causando-nos prejuízos de longo prazo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Autocontrole (ou a falta dele) – Teste do Marshmallow</span></strong></p>
<p>O psicólogo Walter Mischel é o responsável por um dos mais importantes estudos sobre autocontrole, particularmente em relação à habilidade de postergar uma gratificação imediata por uma recompensa futura maior.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a> Sua pesquisa consistiu no Teste do Marshmallow, realizada em mais de 500 crianças da pré-escola, com idade média de 4-6 anos, durante 1968-1974. Individualmente, elas foram levadas a uma sala, onde o pesquisador colocou um marshmallow num prato na mesa à sua frente.</p>
<p>Ao lado havia uma campainha. Disse que sairia da sala e a criança teria duas opções: comer o marshmallow, tocando a campainha para avisar, ou esperar até o pesquisador voltar. Neste caso, se não tivesse comido, ganharia outro marshmallow.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a> Nas décadas seguintes até hoje, ele vem acompanhando aquelas crianças durante a adolescência, a fase adulta e a meia-idade, analisando sua condição de vida.</p>
<p>Em síntese, seus estudos de quase meio século chegam a duas conclusões. Primeiro, os que são capazes de ter autocontrole têm uma probabilidade mais elevada de uma vida futura de maior realização, mais bem-estar e mais saúde física e mental.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a> Segundo, o autocontrole pode ser aprendido e desenvolvido, como um músculo, graças à elevada plasticidade do cérebro. Trazendo estas conclusões para a o mundo de investimento em ações, o investidor prefere o ganho pequeno de curto prazo ao retorno mais robusto que vislumbre no longo prazo.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Como funciona nosso cérebro? Teste CRT</span></strong></p>
<p>Responda as três questões abaixo:</p>
<ol>
<li>Um taco e uma bola custam US$1,10. O taco custa US$1,00 a mais do que a bola. Qual o preço da bola?</li>
<li>Se leva 5 minutos para 5 máquinas fazerem 5 camisas, em quanto tempo 100 máquinas fazem 100 camisas?</li>
<li>Num lago, há vitórias-régias. A cada dia, elas dobram de tamanho.</li>
</ol>
<p>Se leva 48 dias para cobrirem todo o lago, em quantos dias cobrirão metade do lago?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>As pesquisas demonstram que nosso cérebro funciona de duas maneiras.</p>
<p>Em uma, chamada de Sistema 1, o processamento ocorre de maneira espontânea, exigindo pouca atenção. A resposta é rápida, automática, intuitiva. Por exemplo, reconhecer que a face de uma pessoa entrando na sala de aula é a do seu professor de matemática. Na outra maneira, chamada de Sistema 2, o processamento exige esforço, motivação, concentração e execução de regras aprendidas. A resposta é lenta, não há como ser impulsiva. Por exemplo, calcular √19163, cujo resultado é 138,43.</p>
<p>Dependendo de cada circunstância, nosso cérebro automaticamente ativa o Sistema 1 ou o Sistema 2, em função do que interpretar ser o mais apropriado para o momento, a não ser que nossa atenção interfira e mude o seu foco. O problema é que, em algumas situações em que temos que fazer um julgamento ou tomar uma decisão, nosso cérebro se vê numa armadilha, pois interpreta que a resposta adequada virá do Sistema 1, quando de fato precisará do Sistema 2.</p>
<p>Em relação às três perguntas acima, a maioria das pessoas responde US$0,10, 100 minutos e 24 dias, respectivamente. Mas elas estão erradas.</p>
<p>Tais respostas intuitivas derivam do Sistema 1, mas a resposta certa exige o Sistema 2.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a> Nosso cérebro erroneamente ativa o Sistema 1 pela simplicidade do enunciado. Este teste, chamado de Teste de Reflexo Cognitivo (CRT), foi aplicado por Shane Frederick <a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a> em 11 faculdades americanas. O resultado é sintetizado na Figura 1 apenas 17% acertaram as três perguntas, enquanto 33% erraram as três. O melhor resultado foi do MIT, mesmo assim tímidos: apenas 48% acertaram as três.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 1:</strong> Teste de reflexo cognitivo (CRT) <a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a></p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-17268 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2018/02/figura-1.jpg" alt="" width="710" height="455" />Fonte: FREDERICK, Shane. Cognitive Reflection and Decision Making, <em>Journal of Economic Perspectives</em> , v. 19, p. 29, outono 2005.<br />
</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Sistema 1 é associado ao estado quente, ou emocional.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a> É quando existe uma intensa atividade das estruturas mais primitivas do cérebro, o sistema límbico, responsável pelas respostas mais essenciais para nossa sobrevivência, incluindo medo, raiva, fome, desejo sexual. Este sistema rapidamente mobiliza o corpo para a ação, sem parar para refletir nas consequências de longo prazo. Este estado quente é particularmente útil para as situações de emergência. Ao nascermos, somos movidos quase que exclusivamente por ele.<br />
O Sistema 2 é associado ao estado frio, ou racional.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a> É quando existe uma intensa atividade do córtex pré-frontal (CPF), que é a região mais nobre do cérebro. Ele regula nossos pensamentos, ações e emoções, além de ser a fonte de criatividade e imaginação.</p>
<p>Ele permite um comportamento racional, reflexivo e estratégico. É onde está enraizada a habilidade de autocontrole, pela nossa vontade. Esta região só estará plenamente desenvolvida a partir dos 20 anos de idade. Até então, somos mais vulneráveis ao Sistema 1, ou estado quente. Daí o cuidado que crianças e adolescentes demandam de pais e educadores, e a razão de o Direito apenas reconhecer a maioridade em pessoas que se aproximam dessa idade.<br />
Os Sistemas 1 e 2 interagem permanente e simbioticamente. Quanto mais ativo o Sistema 1, menos ativo estará o Sistema 2 e vice-versa. Quanto maior o estresse pelo qual passamos, maior será o estímulo do Sistema 1, exigindo de nós um esforço maior que o normal para usarmos o Sistema 2.<br />
Isso explica o movimento pendular dos mercados, já que a maioria dos investidores “se entrega” aos instintos de euforia ou pânico, comprando ou vendendo compulsivamente, respectivamente, diante de eventos de curto prazo.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Conformidade social – Teste de Asch</span></strong></p>
<p>As pesquisas de psicologia social demonstram que, confrontadas com opiniões contrárias às suas, muitas pessoas mudam seu julgamento na direção da maioria, ou do expert. Aplicando isso para decisões de investimento, parcela relevante dos investidores tendem a seguir o consenso de mercado, ao invés de suas convicções próprias.<br />
Descrevemos a seguir uma importante pesquisa de Solomon Asch publicada em 1955, e que permanece como uma referência no tema.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a> Grupos de sete a nove universitários foram convidados a participar de um experimento de “julgamento visual”. O pesquisador explicou que mostraria dois cartões. No primeiro, haveria uma linha vertical, no segundo, três linhas na mesma posição, mas de tamanhos diferentes.<br />
Os participantes deveriam indicar qual das três tinha a mesma dimensão da linha do primeiro cartão, como mostra a Figura 2. Cada um daria sua reposta em voz alta um após o outro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 2: </strong>Teste de conformidade social de Solomon Asch</p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-17273 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2018/02/figura-2.jpg" alt="" width="698" height="350" />Fonte: ASCH, Solomon E. Opinions and Social Pressure, <em>Scientific American</em>, v. 193, n. 5, novembro 1955.</span></p>
<p>Dos alunos submetidos ao experimento, apenas um era o alvo da pesquisa, os demais faziam parte do time do pesquisador. O alvo era o penúltimo a responder. Nas primeiras duas rodadas, todos responderam certo, unanimemente. A partir da terceira rodada, o sujeito pesquisado respondeu certo, mas todos os demais deram a mesma resposta errada. De um total de 18 rodadas, em 12 os demais participantes responderam igualmente errado. Os resultados mostram que a opinião do grupo exerceu uma forte influência para que a pessoa isolada mudasse de opinião. Isso ocorreu em 37% dos casos, comparado com a probabilidade de 1% de erro esperado nas respostas. Uma particularidade interessante foi que a pressão social sobre o sujeito diminuiu sobremaneira quando o consenso deixou de existir. No experimento, quando uma segunda pessoa, além do sujeito, passou a dar respostas iguais às suas, a frequência de respostas erradas dele caiu para 1/4 dos erros no caso em que ele esteve isolado contra o consenso (ou seja, 9,3%). Neste caso, observou-se um forte vínculo do sujeito pesquisado com seu “parceiro” de resposta, havendo uma clara demonstração de empatia, proximidade e confiança na sua expressão corporal.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a><br />
A conclusão de Asch com essa pesquisa foi a seguinte. Por um lado, como seres sociais, dependemos do consenso para sobrevivermos em coletividade.<br />
Mas o consenso, para ser produtivo, deve resultar de contribuições individuais independentes de cada um. O problema surge quando o consenso é subjugado pela conformidade, fazendo com que o indivíduo perca seu discernimento de julgamento, seguindo cegamente o grupo, como se fosse hipnotizado. Asch lembra a afirmação de um antecessor seu, o sociólogo Gabriel Tarde: “O homem social é um sonâmbulo”.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Lutando contra o efeito manada</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">As três pesquisas mencionadas acima ajudam-nos a entender por que existe o efeito manada. Numa situação de estresse, nosso cérebro, quando não contido pela vigilância, é hiperestimulado no seu Sistema 1, que nos empurra para reações impensadas. Nosso autocontrole fica enfraquecido, deixando nos entregues à saciedade do desejo imediato (não resistimos ao marshmallow). Como temos a necessidade da conformidade social, seguimos o que a maioria dos que estão à nossa volta faz.<br />
Por exemplo, se estamos numa sala de cinema, acabamos de assistir às orientações de como proceder em caso de incêndio, apagaram-se as luzes, sentimos cheiro de fumaça, alguém grita “fogo”, e todos se levantam e correm para a porta de saída, tendemos a sair correndo, esquecendo as instruções. Mas se os demais permanecem sentados, nosso ímpeto diminui, apesar de permanecermos propensos a correr.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a><br />
Analogamente, se temos investimento nas ações de uma empresa, seu preço cai forte e abruptamente e os participantes do mercado tornam-se pessimistas, tendemos a querer vendê-la rapidamente, como se fosse uma batata quente, sem analisarmos antes se seus fundamentos mudaram. O inverso também é verdadeiro: uma alta forte nos impele a comprar mais, esquecendo-nos de pensar se a ação está cara ou não.<br />
Quanto mais aguda for a circunstância, mais forte será nosso ímpeto no calor do momento, geralmente acarretando prejuízos (comprar caro e vender barato). Só há uma solução: pôr em prática, neste momento, o autocontrole. Ele será fundamental neste ano, diante das angústias do calendário eleitoral, como dissemos no início. Ao surgir o movimento de manada, cabe a nós segui-lo, podendo ser pisoteados por ele ou tirar proveito dele, nos distanciando daquele sentimento imediatista e buscando ter o olhar lúcido para enxergar as oportunidades.<br />
Como pôr em prática o autocontrole no caso de investimento em ações?<br />
Na próxima carta discutiremos de que maneira fazemos isso na Cardinal Partners.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><br />
<span style="font-size: 12pt;">Um abraço</span><br />
</span> <span style="color: #002142;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Marcelo Audi<br />
</span></strong></span><span style="font-size: 10pt;">Fevereiro de 2018</span></p>
<hr />
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">ANEXO</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Respostas do teste CRT</span></strong></p>
<p>1. Um taco e uma bola custam US$1,10. O taco custa US$1,00 a mais do que a bola. Qual o preço da bola?<br />
Resposta: US$0,05<br />
Explicação:<br />
x = taco<br />
y = bola<br />
x + y = 1,10<br />
x = y + 1,00<br />
(y + 1,00) + y = 1,10<br />
2y + 1,00 = 1,10<br />
2y = 0,10<br />
y = 0,05</p>
<p>2. Se leva 5 minutos para 5 máquinas fazerem 5 camisas, em quanto tempo 100 máquinas fazem 100 camisas?<br />
Resposta: 5 minutos<br />
Explicação: Se 5 máquinas fazem 5 camisas em 5 minutos, cada máquina faz uma camisa a cada 5 minutos. Portanto, 100 máquinas farão 100 camisas em 5 minutos.</p>
<p>3. Num lago, há vitórias-régias. A cada dia, elas dobram de tamanho. Se leva 48 dias para cobrirem todo o lago, em quantos dias cobrirão metade do lago?<br />
Resposta: 47 dias<br />
Explicação: Se a cada dia para frente a área ocupada duplica, a cada dia para trás se reduz pela metade. Se queremos saber em quantos dias as vitórias-régias ocuparão metade do lago, devemos partir do momento em que ocupam todo o lado (48 dias) e subtrair um dia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Resultado detalhado do teste CRT</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 3: </strong>Resultado do teste CRT, por local</p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-17274 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2018/02/tabela.jpg" alt="" width="577" height="437" /></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;">Fonte: FREDERICK, Shane. Cognitive Reflection and Decision Making, <em>Journal of Economic Perspectives</em> , vol. 19, p. 25-42, outono 2005.<strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"></span></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> MISCHEL, Walter et al. Cognitive and Attentional Mechanisms in Delay of Gratification, <em>Journal of Personality and Social Psychology</em> , n. 2, p. 204-218, 1972; MISCHEL, Walter. <em>The Marshmallow Test</em> – Why Self-Control is the Engine of Success. Boston: Little Brown and Company, 2014.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> Os experimentos originais não foram filmados. Mas há filmagens contemporâneas que replicam o experimento original como mostrado neste video do nosso blog: <a href="https://cardinalpartners.com.br/o-teste-do-marshmallow-gratificacao-instantanea">O Teste no Marshmallow – Gratificação Instantânea</a>.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> Isso inclui melhor desempenho acadêmico, menor índice de massa corporal, mais autoestima, mais confiança em seu julgamento próprio, mais facilidade de superar situações de estresse e frustração, condição emocional mais equilibrada, mais facilidade em manter relacionamentos íntimos, menos uso de drogas.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> Vide respostas certas no Anexo.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> FREDERICK, Shane. Cognitive Reflection and Decision Making, <em>Journal of Economic Perspectives</em>, vol. 19, p. 25-42, outono 2005.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> Veja detalhamento dos resultados no Anexo.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> MISCHEL, Walter. <em>The Marshmallow Test</em> – Why Self-Control is the Engine of Success. Boston: Little Brown and Company, 2014, p. 43.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> Ibid p. 45.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> Na Carta Cardinal 2 (<em>O pêndulo do sentimento do investidor</em>), medimos o pêndulo do sentimento do investidor para o mercado de ações brasileiro no período entre o começo de 2010 e meados de 2015. Os resultados são contundentes: contamos 10 extremos de pânico/euforia (um a cada 5,5 meses); a variação do Ibovespa entre um extremo e outro foi de 28% na média, sendo a maior variação de 41% e a menor de 20%.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> ASCH, Solomon E. Opinions and Social Pressure, <em>Scientific American</em>, v. 193, n. 5, novembro 1955.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> Vídeo original do experimento no nosso blog: <a href="https://cardinalpartners.com.br/teste-de-conformidade-social-tamanho-das-linhas-original">Teste de Conformidade Social – tamanho das linhas – original.</a><br />
Vídeo de uma variação contemporânea no nosso blog: : <a href="https://cardinalpartners.com.br/teste-de-conformidadesocial-sala-de-espera">Teste de Conformidade Social – sala de espera</a>.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> ASCH, Solomon E. Opinions and Social Pressure, <em>Scientific American</em>, v. 193, n. 5, p.2, novembro 1955.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> Um trágico exemplo é o do naufrágio do navio Costa Concordia em 2012, que se chocou com um banco de areia e naufragou no litoral da Toscana. O capitão Francesco Schettino foi um dos primeiros a abandonar o navio</span></p>
</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carta Cardinal 11 &#8211; Estratégia ≠ Eficiência Operacional</title>
		<link>https://cardinalpartners.com.br/carta-11/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cardinal Partners]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Oct 2017 19:14:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cardinalpartners.com.br/lab212/?p=15428</guid>

					<description><![CDATA[Um equívoco recorrente das empresas é confundir estratégia com eficiência operacional. Discutimos o que os diferencia, bem como os vasos comunicantes entre eles. Apresentamos um caso concreto: Portobello.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="vc-row">
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<div class="vc-column"><span id="more-15428"></span></div>
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<div class="vc-column"><a class="vc-btn">FAÇA DOWNLOAD DA CARTA</a></div>
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<div class="page" title="Page 1">
<div class="layoutArea">
<div class="column">
<p>Um equívoco recorrente por parte das empresas é confundir estratégia com eficiência operacional. Relatórios anuais e de resultados trimestrais demonstram isso.</p>
<p>Nesta Carta, apresentamos o olhar da Cardinal Partners para estes dois elementos, procurando demonstrar porque devem ser tratados separadamente, apesar de estarem interligados, influenciando-se mutuamente. Em síntese, estratégia contempla o objetivo a se alcançar e os caminhos a percorrer. Eficiência operacional associa-se à execução da estratégia.</p>
<p>Uma boa estratégia de negócio é concebida para construir e/ou fortalecer vantagens competitivas. Uma elevada eficiência operacional é condição sine qua non para a construção de tais vantagens. Uma estratégia mediana com uma elevada eficiência operacional pode levar a resultados benignos. Mas uma boa estratégia com uma baixa eficiência operacional, além de inócua, pode levar a um resultado maligno, como uma crise financeira, e ao enfraquecimento das vantagens competitivas construídas.</p>
<p>Empresas com vantagens competitivas sustentáveis são exceção, não a regra. Por isso, uma eficiência operacional elevada é fator crítico de sobrevivência. A história apresenta casos de empresas geridas com elevado nível de eficiência operacional que desfrutaram de retornos econômicos superiores aos dos concorrentes por períodos prolongados, mesmo sem desfrutarem de vantagens competitivas identificáveis<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>. Isso significa que os benefícios econômicos de uma elevada eficiência operacional podem ser tão importantes quanto os derivados de uma estratégia bem concebida. Por isso, consideramos estratégia e eficiência operacional como igualmente importantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Estratégia</span></strong></p>
<p>Estratégia consiste em criar, manter e explorar vantagens competitivas, entendidas como aquilo que a empresa faz que os competidores não  conseguem replicar<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>. Ela inclui dois aspectos: definir onde se quer chegar, pela identificação dos fatores críticos (obstáculos, ameaças ou oportunidades); e elaborar ações encadeadas que mostrem o caminho a seguir. A estratégia deve ser elaborada pelo conselho de administração, interagindo com os executivos e respectivos times.</p>
<p>Em sua essência, estratégia envolve ser diferente: ter uma atividade diferente da de seus concorrentes, ou fazer a mesma atividade daquela de seus rivais de maneiras diferentes. Envolve fazer escolhas, isto é, definir o que não fazer. Vantagens competitivas serão criadas quando as inúmeras atividades da empresa vão se encaixando, fortalecendo umas as outras. É um sistema em que 1+1 &gt; 2. O sistema precisa valer mais do que a soma das partes. Só assim as barreiras de entrada são formadas.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a><strong><sup><br />
</sup></strong>Uma boa estratégia, que resulte numa alta performance, pode levar anos para ser concebida<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>. Ela exige que a empresa descubra sua vocação, onde pode ser competitiva, e quais mercados decidirá abandonar para aumentar o foco onde vislumbre alcançar maior performance.</p>
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Eficiência operacional</span></strong></p>
<p>Eficiência operacional pode ser sintetizada em uma palavra: disciplina. Consideramos dois ângulos. Primeiro, a disciplina de execução da estratégia definida, com foco e direção, evitando sair do curso estabelecido. Segundo, disciplina de utilização dos recursos disponíveis, como capital, gente, insumos, ativos fixos, TI, pesquisa e desenvolvimento, entre outros, extraindo o máximo possível deles. Assim como esprememos um limão buscando colher todo o suco possível. É o que permite o crescimento de produtividade.</p>
<p>Eficiência operacional não deve ser confundida com execução passiva de tarefas mecânicas. Ao contrário, exige uma atitude de proatividade, discernimento, julgamento, adaptação, flexibilidade, agilidade, criatividade, oportunismo, instinto e liberdade de ação, tudo dentro dos limites da estratégia estabelecida. Além disso, é da operação que emanam dois elementos fundamentais: alertas de ameaças competitivas, exigindo ações corretivas da estratégia; e novas ideias que levam à inovação ou ao aprimoramento da estratégia. Mas tudo isso exige disciplina e consistência para chegar num nível elevado. Em analogia, é como um piloto numa pista de Fórmula 1. A pista, com seus contornos, representa a estratégia, o guard rail define as restrições de ação impostas por ela. Dentro da pista, o piloto age com liberdade, oportunismo, agilidade, julgamento e habilidade que lhe são peculiares. Por isso a qualidade da eficiência operacional pode variar muito entre empresas competidoras. É difícil encontrar pilotos do nível de Ayrton Senna na história da Fórmula 1.</p>
<p>Um exemplo ilustrativo é o da Cacau Show, um dos maiores sucessos corporativos brasileiros dos últimos dez anos. Com um faturamento anual de aproximadamente R$2 bilhões, é hoje uma das maiores empresas de chocolate fino do mundo, tendo o porte operacional de nomes globais como Lindt e Godiva<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>. Um dos grandes desafios da empresa é a alta sazonalidade<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>. Em 2016, numa sexta-feira, 14 dias antes da Sexta-feira Santa, com a operação da empresa a plena força, apareceu a oportunidade de um ponto de 1.400m<sup>2</sup> no Shopping Aricanduva, onde a empresa já tinha duas lojas de 35m<sup>2</sup>. A primeira reação foi a de pensar em negociar o ponto para a Páscoa do ano seguinte, fazendo o investimento e preparando uma loja de grande porte em seis meses. Mas acabaram focando na oportunidade para aquele ano mesmo. No sábado, dia seguinte, começaram a preparar uma loja diferente, uma megastore. Em uma semana, ela foi inaugurada, tendo carrossel, uma casa de chocolate, 3.000 bichos de pelúcia e som alto, oferecendo uma experiência inovadora, ao criar um ambiente semelhante ao de um bufê infantil. Em suma, a loja foi um sucesso, vendendo R$1,5 milhão na Quinta-feira Santa. O fundador da empresa Alexandre Costa relata que um empresário lhe fez a seguinte analogia sobre a forma de atuação da empresa: “minha empresa só sabe tocar com partitura, a sua é uma banda de jazz”.</p>
</div>
<p>A elevada eficiência operacional traz os seguintes benefícios: maximiza a probabilidade de sucesso de uma estratégia bem concebida; permite forte crescimento quando a execução da estratégia ganha tração, por minimizar a ocorrência de gargalos operacionais; e permite forte alavancagem operacional (crescimento de lucro operacional por unidade de crescimento de receita), levando a um aumento de retorno econômico. Se, por um lado, a boa eficiência operacional é condição indispensável para a criação de vantagens competitivas, por outro, uma eficiência operacional declinante pode ser um sintoma de enfraquecimento das vantagens competitivas da empresa, pela complacência por desfrutar delas. Daí a importância de a eficiência operacional ser tratada como a fonte permanente de revigoramento da estratégia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Time de qualidade e cultura corporativa</span></strong></p>
<p>Uma boa eficiência operacional é resultante de dois fatores críticos. Primeiro, um time de gestão de alta qualidade, em que as pessoas certas estejam no lugar certo<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>. Isso inclui dois ângulos: ter pessoas com talento individual capaz de uma performance elevada; e haver um encaixe entre o tipo de talento da pessoa e as exigências da função.  Uma pesquisa da McKinsey focou na dispersão de produtividade de times de venda, mostrando que os 20% melhores vendedores vendem dez vezes mais do que os 20% piores.</p>
<p>O segundo fator é haver uma cultura corporativa forte, em que valores fundamentais predominem na atmosfera e levem a uma atitude coesa  do time. É difícil encontrar uma empresa de sucesso com cultura corporativa rarefeita. Uma das principais virtudes de um bom CEO é a habilidade de montar este time e construir esta cultura.</p>
<p>Assim, time de qualidade e cultura corporativa são os vasos comunicantes entre a estratégia e a eficiência operacional de uma empresa, como ilustramos na figura 1. Neste contexto, uma boa estratégia, acompanhada de uma elevada eficiência operacional, precisa surgir de dentro para fora, não o contrário. Uma cultura corporativa não se compra de uma empresa de consultoria, nem pode ser imposta monocraticamente por um CEO. Uma boa estratégia resulta da vocação da empresa, numa profunda reflexão feita pelo conselho de administração, o CEO e os principais executivos, junto a seus respectivos times. Não há como vir de fora. É deste processo interativo que surgem as estratégias de sucesso e a elevada eficiência operacional.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 1: </strong>Vasos comunicantes entre estratégia e eficiência operacional</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16959 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/10/graficos_carta11-01.jpg" alt="" width="462" height="343" /><span style="font-size: 10pt;">Pessoas certas no lugar certo. Fonte: Cardinal Partners</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">O que cria valor, estratégia ou eficiência operacional?</span></strong></p>
<p>É inquestionável a força de uma estratégia bem concebida em criar vantagens competitivas duradouras e, portanto, valor. O que pode parecer menos óbvio é que a eficiência operacional também cria valor, podendo ter uma importância equivalente à de uma boa estratégia.</p>
<p>Bruce Greenwald<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a> traz um exemplo histórico. Do fim da segunda guerra mundial até 1970, o crescimento da produtividade industrial dos Estados Unidos foi de robustos 3% a.a., fazendo com que o setor industrial fosse uma das forças do crescimento econômico do país, e um dos mais fortes do mundo. Daquele ano até 1980, o crescimento da produtividade foi de apenas 0,7%, bem atrás de Japão, Alemanha e Itália. Como resultado, do fim da década de 1970 até meados da década de 1980, os Estados Unidos experimentaram uma desindustrialização, sofrendo uma brutal competição do setor industrial japonês, com o seu revolucionário sistema produtivo baseado em gestão de qualidade total. Foi quando, por exemplo, no tradicional setor automobilístico, Honda e Toyota se consolidaram como concorrentes de importância equivalente às tradicionais marcas norte-americanas. De 1986 a 1991, porém, a produtividade industrial dos Estados Unidos acelerou em 2 pontos percentuais a.a., fazendo com que o país voltasse a ser uma das maiores forças industriais do mundo.</p>
<p>O que ocorreu nestes breves cinco anos? Em essência, uma mudança de foco de eficiência operacional e qualificação dos times de gestão. Até 1980, a formação dos executivos norte-americanos tinha como ênfase finanças e marketing. A partir de meados de 1980, passou a ser em eficiência operacional, como sistemas produtivos just-in-time, reengenharia e benchmarking, entre outros. Não houve grande salto de investimento, escolaridade da mão-de-obra ou pesquisa e desenvolvimento. Em suma, esta alternância competitiva teve como pivô a eficiência operacional.</p>
<p>Mas para se obter retornos econômicos sustentavelmente superiores, é preciso uma benigna combinação de eficiência operacional com estratégia. “A melhora constante de eficiência operacional é necessária para atingir uma lucratividade superior. Porém, geralmente não é suficiente. Poucas empresas têm competido de maneira bem-sucedida com base em eficiência operacional por um tempo prolongado. Mas permanecer à frente dos rivais torna-se cada dia mais difícil. A razão mais óbvia é a rápida difusão das boas práticas. Competidores conseguem rapidamente imitar técnicas de gestão, novas tecnologias, melhoras no uso de insumos e maneiras superiores de atender às demandas dos clientes”.<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #002142; font-size: 18pt;">Caso Portobello – Não reclame do vento; ajuste as velas.</span></strong></p>
<p>Portobello é a maior empresa do Brasil em revestimentos cerâmicos, atuando com marca premium de mesmo nome. É inovadora no desenvolvimento do canal de distribuição de franquias Portobello Shop, iniciado em 1998 e hoje com 150 lojas, representando aproximadamente um terço das vendas. É um canal lucrativo por permitir um mix de venda mais nobre que os demais (varejo especializado e incorporadoras).</p>
<p>Com o boom da construção civil no país entre 2007 e 2014, a empresa cresceu de modo significativo: sua receita líquida aumentou 140% e seu EBITDA ajustado cresceu 506% no período, sem movimentos significativos de aquisição. Com o objetivo de expandir-se organicamente de modo mais relevante, decidiu em 2013 construir uma nova fábrica em Alagoas, com a estratégia de atuar com uma nova marca para o Nordeste, Pointer.  A fábrica foi inaugurada em 2015, já sob condições econômicas bem piores do que as de 2013, quando a decisão de investimento foi feita.</p>
<p>Após o pico de desempenho econômico-financeiro observado em 2014, a Portobello viu-se, a partir de 2015, tendo que enfrentar uma fortíssima recessão econômica (especialmente cruel no setor de construção civil),  ao mesmo tempo em que iniciava o ramp-up da nova fábrica. Assim, seu EBITDA caiu do recorde de R$176 milhões em 2014 para R$115 milhões em 2016, uma retração de 35%, enquanto sua alavancagem financeira (dívida líquida / EBITDA ajustado), saltou de 2,0x para 4,2x nos respectivos anos, um nível desconfortavelmente alto<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>. Entre o fim de 2014 e o início de 2016 o preço da ação da Portobello caiu em 2/3 (figura 2).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 2: </strong>Preço da ação da Portobello – em R$/ação</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16932 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/10/graficos_carta11-02-1.jpg" alt="" width="739" height="367" /></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Bloomberg</span></p>
<p>Desde então, a Portobello vem navegando pela recessão com disciplina. Ao invés de simplesmente esperar o ciclo do setor melhorar, o que pode demorar – haja vista a tendência de os setores de construção civil e material de construção se recuperarem com atraso em relação à economia –, a empresa focou em medidas para aumentar sua eficiência operacional. Uma ampla revisão de custos e despesas foi realizada ao longo de 2016, utilizando ferramentas como o orçamento base zero<a class="_ps2id" href="#1" data-ps2id-offset=""><sup></sup></a>. Em adição, fez investimentos buscando maior flexibilidade e integração das suas quatro linhas de produção na planta de Tijucas (SC), com o objetivo de maximizar a fabricação de produtos mais rentáveis e diminuir a capacidade ociosa estrutural.</p>
<p>Tais medidas começaram a dar frutos a partir do primeiro trimestre de 2017, que consideramos ser o ponto de inflexão de sua eficiência operacional. Comparando este trimestre com um ano antes, apesar de a receita líquida ter caído 2,4%, o lucro bruto avançou 7,0%, e as despesas comerciais e as gerais/administrativas caíram 7,3% e 7,1%, respectivamente. Com isso, o EBITDA ajustado do trimestre saltou 71% na mesma base. A demonstração de resultado do segundo trimestre de 2017 reafirmou o salto de eficiência operacional, que acreditamos ser estrutural. Com isso, nossas estimativas apontam para uma geração de EBITDA em 2017 já próxima à do pico de 2014 (Figura 3), e uma significativa queda de alavancagem financeira (Figura 4). E isso ainda sem melhora de receita.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 3: </strong>EBITDA anual e margem (R$ milhões em %)</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16960 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/10/graficos_carta11-03.jpg" alt="" width="539" height="266" /><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Portobello e Cardinal Partners</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 4</strong>: Alavancagem financeira (Dívida líquida/EBITDA)</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16961 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/10/graficos_carta11-04.jpg" alt="" width="539" height="266" /><br />
<span style="font-size: 10pt;">Fonte: Portobello e Cardinal Partners</span></p>
<p>Em conclusão, consideramos Portobello como um caso de estratégia bem concebida, combinada com elevada eficiência operacional. Do lado estratégico, desfruta de uma marca premium consolidada, um canal de distribuição exclusivo que representa uma importante barreira de entrada para sua marca, e, acima de tudo, visão de longo prazo. Em relação a sua eficiência operacional, mostra elevada disciplina. Suas ações recentes buscando maior flexibilidade produtiva e redução de custo devem aumentar sua alavancagem operacional. Ao incorporarmos esse novo padrão, o valor que atribuímos à empresa subiu robustos 55% durante 2017 (Figura 5), ainda mantendo premissas razoavelmente conservadoras, como sempre fazemos. Este é um contundente caso de forte criação de valor advindo de um salto de eficiência operacional. A Portobello é uma de nossas empresas investidas desde o quarto trimestre de 2016.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 5</strong>: Preço da ação da Portobello e valor da ação atribuído pela Cardinal Partners</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-17163 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/10/graficos_carta11-05-p4.jpg" alt="" width="733" height="432" /><br />
<span style="font-size: 10pt;">Fonte: Portobello e Cardinal Partners</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt;">Outubro de 2017</span><br />
<span style="color: #002142;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Marcelo Audi</span></strong></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"> </a>GREENWALD, Bruce and KAHN, Judd. Competition demystified – <em>A radically simplified approach to </em></span><span style="font-size: 10pt;"><em>business strategy</em>. Portfolio, 2007, p. 364.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> <a class="_ps2id" href="https://cardinalpartners.com.br/carta-5" data-ps2id-offset="">Carta Cardinal 5 – Como crescer na recessão?</a> p. 2.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"> </a>PORTER, Michael, <em>What is strategy?</em> Harvard Business Review, November-December 1996, p. 5.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"> </a>As empresas que saltaram para a alta performance, analisadas por Jim Collins, levaram em média quatro anos para conceberem sua estratégia porco-espinho (COLLINS, Jim, Good to Great, Harper Business, 2001, p. 114). Para detalhes sobre o conceito da estratégia porco-espinho, vide Carta Cardinal 7 – Olimpíadas, legado e value investing, p. 5.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"> </a>Nos seis anos findos em 2016, apresentou um crescimento médio anual composto de faturamento de 24%, comparado com 6% do mercado. Seu market share no mercado brasileiro saltou de 6% em 2010 para 15% em 2016. Sua rede de franquias cresce em ritmo forte: de 63 lojas em 2004 para 1.000 em 2010 e 2.148 atualmente.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"> </a>As vendas apenas da Quinta-feira Santa equivalem quase às de janeiro a fevereiro somadas.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"> </a><a href="https://cardinalpartners.com.br/carta-7/">Carta Cardinal 7 – Olimpíadas, legado e value investing </a><a href="https://cardinalpartners.com.br/carta-7/">–</a> p. 2.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> GREENWALD, Bruce and KAHN, Judd. <em>Competition demystified – A radically simplified approach to business strategy</em>. Portfolio, 2007, p.369.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> PORTER, Michael,<em> What is strategy?</em> Harvard Business Review, November-December 1996, p. 4.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> O atenuante é que parte relevante da dívida se referia ao financiamento da nova planta junto ao Banco do Nordeste, que tinha condições muito atrativas: custo de 3,0% a.a. nominal, 11 anos de vencimento e 2 anos de carência.</span></p>
<p><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1"></a> Orçamento base zero é uma abordagem para planejamento e orçamentação que inverte a lógica tradicional do processo de orçamentação. Na orçamentação tradicional é utilizada uma abordagem incremental, na qual os gestores de departamentos justificam apenas as variações em relação aos anos anteriores, baseados na suposição de que a base dos anos anteriores está implicitamente aprovada. Num orçamento base zero, por outro lado, cada item do orçamento precisa ser explicitamente aprovado, e não apenas as alterações em relação ao ano anterior. Durante o processo de revisão do orçamento, nenhuma referência é feita ao nível de despesas do ano anterior. O processo de orçamento base zero requer que a solicitação orçamentária seja revisada e avaliada completamente, a partir de uma “base zero”</span>.</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carta Cardinal 10 &#8211; Value investing diante de incertezas política e econômica</title>
		<link>https://cardinalpartners.com.br/carta-10/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cardinal Partners]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 May 2017 21:12:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[cenário econômico]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cardinalpartners.com.br/?p=14951</guid>

					<description><![CDATA[Discutimos aqui como tratamos incertezas políticas e econômicas em nossa estratégia de value investing. É em momentos de estresse como o atual que o gestor de fundo é testado em dois aspectos: na disciplina de seu processo e na vigilância para evitar se tornar refém dos vieses de comportamento. Apresentamos algumas reações de investidores na incerteza atual, que consideramos falaciosas numa estratégia de value investing.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span id="more-14951"></span></p>
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<div class="vc-column"><a class="vc-btn">FAÇA DOWNLOAD DA CARTA</a></p>
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<div class="vc-column">Dado que estamos numa crise política capaz de prejudicar a economia, convém apresentarmos algumas considerações sobre a teoria de value investing, conforme a entendemos e aplicamos na Cardinal Partners, em adição ao que já apresentamos em nossa <a href="https://cardinalpartners.com.br/carta-9">última carta</a><a href="#1"><sup></sup></a>. Em seguida, discutiremos algumas reações de investidores que costumam surgir em momentos de incerteza – aparecendo novamente agora – e que consideramos incompatíveis com esta teoria, e por quais motivos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 18pt;"><strong><span style="color: #002142;">Value investing como entendemos e aplicamos</span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiramente, a decisão de investimento numa estratégia de <em>value investing</em> depende menos do momento específico do cenário macro em que estejamos e muito mais da margem de segurança, ou seja, do desconto entre o valor e o preço. A empresa com boa estratégia, execução eficiente e vantagens competitivas é capaz de suavizar impactos adversos do ciclo econômico, pois segue vias próprias de crescimento rentável bem definidas. Por isso, seu valor não deveria necessariamente se alterar diante de uma piora econômica. Se, ao contrário, fizermos decisão de investimento com base no desenrolar dos acontecimentos políticos e econômicos de curto prazo, não estaremos seguindo esta estratégia, mas sim a de <em>market timing</em>, que, na situação presente, consiste em adivinhar o cenário político que prevalecerá, o <em>timing</em> com que se desdobrará e a forma como o mercado reagirá.</p>
<p style="text-align: justify;">É em momentos de estresse, como o atual, que somos testados em dois fatores críticos em nossos investimentos. Primeiro, se estamos mantendo a disciplina em nossos processo e horizonte de investimento (em nosso caso, <em>value investing</em>, com horizonte de investimento de pelo menos três anos). Segundo, se estamos sendo capazes de evitar os equívocos de comportamento (vieses humanos), que costumam nos conduzir a decisões de investimento equivocadas. Nossos vieses ficam mais aguçados em momentos extremos de pânico ou de euforia.</p>
<p style="text-align: justify;">Consideramos oportuno destacar as três principais conclusões de Russel Napier<a href="#1" name="_ftnref2"><sup></sup></a> no seu detalhado estudo dos quatro grandes pisos do mercado norte-americano de ações no século XX:  1. Os que compram bem num mercado pessimista focam no valor das empresas, não na expectativa de lucro dos trimestres seguintes, nem na expectativa de melhora econômica; 2. O piso de lucro das empresas ocorre com um significativo atraso em relação ao piso do preço de uma ação; 3. Pisos de mercado são caracterizados por crescentes melhoras de notícias, ainda ignoradas pela maioria dos investidores.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"><strong>Falácias em value investing</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Discutiremos agora algumas das reações de investidores de ações que temos observado neste momento de incerteza política e porque as consideramos equivocadas para uma estratégia de <em>value investing</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-size: 14pt; color: #00b0fa;"><strong><em>“ É melhor aumentar ao máximo o nível de caixa do fundo, até que se tenha mais visibilidade do cenário&#8221;</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Ora, quando houver mais visibilidade do cenário, provavelmente os preços das ações estarão mais altos que os atuais. Portanto, o investidor terá vendido parte das ações com preços menores, voltando a comprá-las quando os preços estiverem mais altos. Em outras palavras, ele terá vendido barato, posteriormente comprando caro, o inverso de uma conduta racional. Isso reflete pelo menos um viés: o do calor do momento, que o faz vender no pânico e comprar na euforia. Independentemente disso, esta conduta de escolher o cenário esperado e o tempo previsto para o seu desenrolar é característica de <em>market timing</em>, não de <em>value investing</em>. Se fazemos um bom trabalho de análise para se chegar ao valor da empresa, com premissas suficientemente conservadoras, e seu preço apresentar margem de segurança, uma queda de preço deve nos levar a aumentarmos nossa alocação na empresa, não o contrário.</p>
<p style="text-align: justify;">Em nosso processo de investimento na Cardinal Partners, o nível de caixa é uma consequência, resultante da sobra das alocações feitas individualmente nas empresas em que decidimos investir, seguindo um método formal de alocação. Segundo ele, é terminantemente proibido usar o caixa para fazer <em>market timing</em>, sendo necessário justificar a razão para desinvestir total ou parcialmente de qualquer das empresas investidas. Portanto, a variação do nível de caixa do nosso fundo não tem vínculo direto com as circunstâncias política e econômica.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><span style="color: #00b0fa; font-size: 14pt;"><em>&#8220;Em momentos de incerteza, é melhor fazer uma alocação tática em empresas mais defensivas ou com receita em moeda estrangeira&#8221; </em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O problema desta conduta é ignorar onde há ou não margem de segurança. O efeito manada num sentimento de pânico pode fazer com que justamente estas empresas fiquem caras no momento do investimento. Por outro lado, por exemplo, uma empresa cíclica e sem receita em moeda estrangeira, mas que tenha uma estratégia bem concebida, execução eficiente e prudência financeira pode oferecer uma grande margem de segurança justamente no momento de pânico. Em nossa opinião, alocação tática, no contexto aqui colocado, muitas vezes representa uma maneira disfarçada de misturar as estratégias de <em>market timing</em> e <em>value investing</em>. E, segundo entendemos, ambas são excludentes, assim como água e óleo não se misturam. A primeira foca no curto prazo, a segunda no longo prazo. Fazer tal mistura representa um grande perigo de perda permanente do capital investido, como demonstram as pesquisas de finanças comportamentais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color: #00b0fa;"><strong><span style="font-size: 14pt;"><em>&#8220;Em momentos de incerteza, é melhor aumentar a concentração do fundo em empresas</em> large cap<a style="color: #00b0fa;" href="#_ftn3" name="_ftnref3"></a></span></strong><span style="font-size: 14pt;"><a style="color: #00b0fa;" href="#1" name="_ftnref3"><sup></sup></a></span><strong><span style="font-size: 14pt;"><em> e reduzir em </em>mid cap<em> e </em>small cap</span></strong><span style="font-size: 14pt;"><a style="color: #00b0fa;" href="#_ftn4" name="_ftnref4"><sup></sup></a></span><strong><span style="font-size: 14pt;"><em>, dado o risco de liquidez&#8221;</em></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">O aspecto crítico é ter um bom controle do risco de liquidez de todos os investimentos feitos, independentemente da liquidez da respectiva ação. Tal risco está presente tanto em empresas <em>large cap</em> como em empresas<em> small cap</em>. Por exemplo, investidores internacionais de grande porte têm a restrição de só poderem investir em ações acima de um certo valor de mercado e liquidez. Portanto, eles acabam por investir apenas nas empresas maiores e mais líquidas do mercado brasileiro. Numa piora das expectativas, eles podem decidir reduzir seus investimentos em ações brasileiras, potencialmente gerando maior queda de preço nas ações <em>large cap</em> do que nas<em> small cap</em>, que são inacessíveis para eles. Inversamente, pode ocorrer um pessimismo maior de investidores locais do que de estrangeiros, provocando uma correção de preço mais acentuada nas ações <em>small cap</em> do que nas <em>large cap</em>. Daí a falácia.</p>
<p style="text-align: justify;">Em nosso processo de investimento analisamos indistintamente desde empresas <em>large cap</em> até <em>small cap</em>. Feita a decisão de investimento, é no estágio final de alocação que aplicamos nosso critério formal de teto em função da liquidez, que é uma função dos seguintes fatores: percentual de alocação desejada, tamanho da carteira do fundo naquele momento, liquidez da ação e prazo de resgate do fundo (que no nosso caso é de 60 dias corridos). As figuras 1 e 2 apresentam a contribuição de cada empresa para o retorno total do nosso fundo. Existe uma distribuição disseminada nas três categorias tanto do número de empresa investidas como da soma dos retornos acumulados. Isso não impede de, dependendo das oportunidades, haver uma concentração maior em alguma delas. Dois são os fatores que importam em nossa decisão de investimento: não fazemos distinção entre as categorias; e mantemos uma rigorosa disciplina no controle da liquidez de cada um dos investimentos feitos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 1</strong>: Atribuição de performance por empresa</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16964 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/05/graficos_carta10-01-1.jpg" alt="" width="638" height="414" /></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;">Nota: Desde 23-mai-2016, data do início do fundo Cardinal Partners FIA na Gestora Cardinal Partners. Fonte: Cardinal Partners. Fechamento da rentabilidade em 8-jun-2017.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 2</strong>: Atribuição de performance por valor de mercado das empresas¹</p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-17207 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/05/tabela-carta10-figura2-p3.jpg" alt="" width="459" height="133" /></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;">1. Categorias (R$ Bi): Small cap &lt; 2; mid cap 2-20; large cap &gt; 20. Nota: Desde 23-mai-2016, data do início do fundo na Gestora Cardinal Partners. Fonte: Cardinal Partners. Fechamento da rentabilidade em 8-jun-2017.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Value investing não funciona no Brasil, dada a instabilidade política e econômica.&#8221;</em></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>Value investing</em> não requer estabilidade de mercado. Ao contrário, a volatilidade é que permite se investir com preços baratos e desinvestir com preços elevados, gerando retornos atrativos. Além disso, como demonstra Minsky<a href="#1" name="_ftnref5"><sup></sup></a>, instabilidade é a condição inerente às economias e aos mercados financeiros – tanto em países desenvolvidos como emergentes – sendo os momentos de estabilidade as exceções. Kindleberger<a href="#1" name="_ftnref6"><sup></sup></a> e Galbraith<a href="#1" name="_ftnref7"><sup></sup></a> dedicaram parte de seus prolíficos trabalhos ao estudo de formação e estouro de bolhas financeiras. O que os três têm em comum é a constatação de que a causa primária da instabilidade dos mercados reside nas emoções humanas que, quando aguçadas e não controladas, acabam por sobrepujar a inteligência. Elas incluem: a ganância, o curto-prazismo, os vieses da extrapolação e do calor do momento, o excesso de confiança e a falta de disciplina nas decisões de investimento, entre outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de suas visões lúcidas e pioneiras dos vieses humanos, só mais tarde, principalmente a partir da década de 1990, é que a psicologia penetra nas ciências de economia e finanças, consolidando-se como uma ciência formal autônoma – finanças comportamentais – que vem crescentemente demonstrando que o pilar fundamental delas – a ideia de que os mercados são eficientes, pois as pessoas tomam decisões racionais – parece ser uma falácia<a href="#1" name="_ftnref8"><sup></sup></a>. Esta ciência é um componente fundamental da teoria de <em>value investing</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, a aplicação lúcida e disciplinada desta teoria funciona em qualquer mercado capitalista e suficientemente organizado, incluindo o brasileiro. A realidade é que, muitas vezes, o argumento de <em>value investing</em> não funcionar no Brasil é usado para justificar – ou esconder – erros de investimentos; ou refletem a falta de disciplina na sua aplicação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"><strong>Estratégia de investimento da Cardinal Partners diante das atuais incertezas política e econômica</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Um dos dogmas em <em>value investing</em> é ignorar o macro, como já discutimos no passado<a href="#1" name="_ftnref9"><sup></sup></a>. O processo de investimento adotado pela Cardinal Partners leva em consideração o contexto econômico e político, servindo como o pano de fundo que permeia toda a análise específica de cada empresa, até chegarmos no seu valor, entendido como a sua capacidade de geração de lucro distribuível e sustentável no tempo. Como nosso horizonte é de longo prazo, pelo menos três anos, focamos mais nas tendências estruturais da economia do que em dados de curto prazo como, por exemplo, qual será o ritmo de corte de juro nos próximos meses. No <a class="_ps2id" href="#Anexo" data-ps2id-offset="">Anexo</a>, detalhamos nossas considerações para o momento atual.</p>
<p style="text-align: justify;">Entendemos que as consequências econômicas plausíveis resultantes das possíveis soluções políticas da crise atual não alteram de forma material o valor de nossas empresas investidas. E como todas apresentam margem de segurança confortável, mantivemos todos nossos nove investimentos atuais. A única mudança foi aumentarmos nossa alocação em Portobello, pela combinação de uma revisão para cima do seu valor por razões próprias da empresa – ela atingiu um patamar mais elevado de eficiência operacional que consideramos ser recorrente – e de uma importante queda no preço da ação, aumentando significativamente a margem de segurança. Dado que nosso nível de caixa é atualmente de 22%, muitas empresas que gostamos pela sua estratégia e vantagem competitiva começaram a apresentar alguma margem de segurança, mas ainda não o suficiente para iniciarmos um investimento. Estão devidamente mapeadas e analisadas. É o momento da paciência para esperar a melhor oportunidade de investir com disciplina e convicção.</p>
<h3></h3>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;">Junho de 2017</span><span style="color: #002142;"><br />
</span><strong><span style="color: #002142; font-size: 14pt;">Marcelo Audi</span></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<h2 style="text-align: justify;"><span style="color: #002142;"><strong>Anexo &#8211; Considerações sobre a crise política e as implicações econômicas</strong></span></h2>
<p style="text-align: justify;">A crise política iniciada no fim de maio com a delação dos irmãos Batista, representa dois riscos específicos e interconectados: a ameaça para a aprovação da reforma previdenciária e a possibilidade de interrupção da retomada econômica, que já estava num estágio inicial e deveria ganhar tração no segundo semestre de 2017. Dada a natureza imprevisível desta crise, é inócuo tentarmos adivinhar o cenário que prevalecerá. O que importa é considerarmos o que já parece ser o dano irreversível do lado econômico. Detalharemos isso a seguir.</p>
<p style="text-align: justify;">Em nosso processo de investimento, analisamos cuidadosamente o ciclo econômico. Para isso, usamos nosso IAC (Indicador Antecedente Cardinal)<a href="#1" name="_ftnref10"><sup></sup></a>, que nos mostra se a economia estará em expansão ou em retração de seis a nove meses adiante (Figura 3). Ele indicou que a economia começaria uma expansão a partir do início de 2017, como vem ocorrendo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 3</strong>: Indicador antecedente Cardinal vs. PIB (em pontos e variação % a/a)</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16965 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/05/graficos_carta10-02-1.jpg" alt="" width="804" height="384" /><span style="font-size: 10pt;">Nota: IAC acima de zero indica expansão e abaixo de zero contração. Fonte: Cardinal Partners e Banco Central do Brasil.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Com base nele, definimos em qual dos quatro estágios do ciclo econômico estamos, conforme a figura 4: o estágio 1 é o de pico do ciclo, o 2 é o de contração, o 3 é o de piso e o 4 de expansão. Esta definição serve de pano de fundo que permeia nosso processo de investimento. Pela nossa análise, estávamos no estágio 1 no 1Tri-2014, no 2 no 4Tri-2015, no 3 no 1Tri-2017, devendo consolidar o 4 no segundo semestre de 2017.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 4</strong>: Estágios do ciclo econômico</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16966 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/05/graficos_carta10-03-1.jpg" alt="" width="409" height="273" /><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O risco agora é a passagem do piso para a expansão ser comprometida. Vislumbramos duas possibilidades. A primeira é um prolongamento do piso (estágio 3), havendo uma postergação da recuperação para o estágio 4, ou seja, uma curva em U (trajetória A da figura 5). A segunda, mais adversa, é haver um degrau para baixo do piso, seguido de uma curva em U (trajetória B da figura 5).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 5:</strong> Ciclo econômico em trajetórias</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16967 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/05/graficos_carta10-04-1.jpg" alt="" width="585" height="308" /><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Cardinal Partners</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O que definirá a trajetória são essencialmente dois fatores. O primeiro é se haverá continuidade da política econômica responsável que tínhamos até agora, com a manutenção das pessoas-chave: Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda, Ilan Goldfajn no Banco Central, Pedro Parente na Petrobras e, agora, Paulo Rabello de Castro no BNDES<a href="#1" name="_ftnref11"><sup></sup></a>. O segundo é a aprovação da reforma da previdência, mesmo numa versão mais diluída, pois é ela que vem ancorando a expectativa de melhora fiscal no médio prazo (cinco anos). Quanto mais propenso o país estiver a uma ruptura desses dois fatores, maior a probabilidade de experimentarmos a trajetória B.</p>
<p style="text-align: justify;">O que nos parece mais plausível é a trajetória A devido a dois fatores, um econômico e outro político. A condição econômica atual é substancialmente melhor do que há um ano, quando experimentamos a crise política anterior, que levou ao impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Em relação à inflação, restabeleceu-se a credibilidade da política monetária. Tanto a inflação quanto a taxa básica Selic estão desabando. Em relação ao câmbio, as contas externas estão na mais sólida condição das últimas décadas, o que pode conter o risco de fortes desvalorizações numa piora adicional de expectativas. Resta a terceira perna deste tripé, que é o fiscal. Por isso destacamos a reforma da previdência como sendo, em essência, o que definirá se o ciclo econômico seguirá a trajetória A ou a B.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste ponto, trazemos o fator político. Apesar das profundas incertezas, parece haver um consenso mínimo no Congresso e entre os principais partidos – PMDB, PSDB e DEM – de que será preciso aprovar esta reforma, mesmo suavizada, por uma razão fundamental: o instinto de sobrevivência, que parece levar ao entendimento de que ninguém ganhará se nada for aprovado, nem mesmo quem vencer as eleições de 2018. Tais considerações se aplicam tanto ao cenário de o Presidente Michel Temer permanecer no cargo, mesmo enfraquecido (uma espécie de “Sarneyzação” do sec. XXI), como ao de ser substituído.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn1"></a> Carta Cardinal 9. <em>Qual o melhor momento para investir em ações?</em>, sessão <em>Não existe o melhor momento, e sim a melhor estratégia</em>, pp. 7-9.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn2"></a> NAPIER, Russel. <em>Anathomy of the bear – Lessons from Wall Street’s four Great Bottons</em>. 2<sup>ª</sup> edição, CLSA, 2005, e Carta Cardinal 1. <em>“Apresentação”</em>, pp. 6-7.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn3"></a> De valor de mercado grande, geralmente com grande liquidez da ação, sendo as mais relevantes do mercado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn4"></a> De valor de mercado médio ou pequeno, com liquidez da ação média ou pequena.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn5"></a> MYNSKY, Hyman P. <em>Can “it” happen again? Essays on instability and finance</em>. M.E. Sharpe, 1982. É o autor da Hipótese da Instabilidade Financeira: prolongados períodos de crescimento econômico costumam ser acompanhados por inovações tecnológicas de empresas e de instrumentos financeiros; isso instiga a busca por risco, levando empresas e famílias a elevarem sua alavancagem financeira e instituições financeiras a concederem crédito de maneira cada vez menos prudente; como consequência, ocorre a uma insustentável alavancagem financeira da economia, desembocando num colapso de preços de ativos, acompanhado por uma crise bancária.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn6"></a> KINDLEBERGER, Charles P. e ALIBER, Robert Z.  <em>Manias, panics and crashes – A history of financial crises</em>. 5ª edição. Palgrave Macmillan, 2005, p. 9: “Durante estes períodos eufóricos, um número crescente de investidores busca ganhos de capital de curto prazo pelo aumento de preço de imóveis e ações, ao invés de buscar o rendimento derivado do uso produtivo destes ativos. ” Nesta frase, o autor explica a distinção entre especulação e investimento, além de descrever a ganância.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn7"></a> GALBRAITH, John K. <em>A short history of financial euphoria</em>. Pinguin Books, 1990, p.1: “Regulamentação e uma visão econômica mais ortodoxa não são o que protegem as pessoas e as instituições financeiras quando a euforia retorna, levando à ilusão do aumento do valor e da riqueza e à pressa em participar, acabando por provocar a alta dos preços e o crash final, com suas desagradáveis e dolorosas consequências. Há proteção apenas quando existe uma clara percepção das características comuns desses voos na direção do que conservadoramente pode-se chamar de insanidade em massa. Apenas então estará o investidor alerta e salvo. ”  Esta é a descrição do viés do calor do momento.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn8"></a> FOX, Justin. <em>O mito dos mercados racionais – uma história de risco, recompense e decepção em Wall Street</em>. Best seller, 2010, introdução e caps. 10-11.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn9"></a> Carta Cardinal 3. <em>Dogma em value investing: ignorar o macro (Parte I)</em><em>;</em> e Carta Cardinal 4. <em>Dogma em value investing: ignorar o macro (Parte II)</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn10"></a> Carta Cardinal 6. <em>Oh Yeah! Oh No!</em>, sessão <em>Onde está o ciclo econômico brasileiro? Indicador Antecedente Cardinal</em>, pp. 6-8.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn11"></a> Fazemos a ressalva de que já houve uma perda de credibilidade pela saída de Maria Silvia Bastos Marques, o quarto nome-chave, que vinha fazendo um excelente trabalho de reconstruir a governança, as políticas e a disciplina na concessão de crédito da instituição. Todavia, seu substituto goza de credibilidade equivalente.</span></p>
<p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7"></a></div>
</div>
</div>
<div class="vc-row">
<div class="vc-column">
<div class="vc-column">
<p>&nbsp;</p>
</div>
</div>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Carta Cardinal 9 &#8211; Qual o melhor momento para investir em ações?</title>
		<link>https://cardinalpartners.com.br/carta-9/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Cardinal Partners]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Apr 2017 22:56:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cartas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://cardinalpartners.com.br/?p=14715</guid>

					<description><![CDATA[Abordamos esta questão explicando como os vieses humanos atrapalham a decisão de investimento, geralmente provocando perdas. Pesquisas mostram a maioria dos investidores comete três equívocos: vendem no pânico, compram na euforia e tentam adivinhar se o mercado subirá ou cairá nos meses seguintes, comprando ou vendendo, respectivamente. É o inverso da decisão racional de “comprar barato e vender caro”.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="vc-row">
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<div class="vc-column"><span id="more-14715"></span></div>
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<blockquote>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>&#8220;Alguns imaginam como seria a vida se tivessem comprado ações de Tesla (ou Apple, ou seja-qual-for-a-ação-que-tenha-disparado) no dia da sua oferta inicial na bolsa. Outros se perguntam como seria se tivessem tido o </em>timing<em> perfeito de sair do mercado logo antes da Grande Recessão</em><a href="#1"><sup></sup></a>.<em> O mais comum, talvez, seja o sonho de terem sido um dos primeiros investidores da Berkshire Hathaway, enriquecendo na cola do popular guru do Meio-Oeste norte-americano. (&#8230;), mas ninguém sonha em não entrar em pânico, fazer aportes de investimento regulares e manter o foco no longo prazo.&#8221; </em></p>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px;"><em>&#8220;É inescapável a realidade de que o controle do comportamento humano é a pedra angular para ser um investidor de sucesso. Nenhum nível de qualificação técnica para se investir, que em si já é raro, é suficiente para superar o câncer do mau comportamento.&#8221; (Daniel Crosby)</em><a href="#1"><sup></sup></a></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Ao longo dos ciclos do mercado de ações (mercado em alta ou em baixa), o comportamento dos investidores em relação ao melhor momento para investir costuma se alternar entre dois polos. Em um, eles afirmam: &#8220;<em>não é o melhor momento, pois o CDI ainda está alto e a economia em recessão. É difícil o retorno de Bolsa competir com o retorno do CDI</em>&#8220;. Este comportamento geralmente predomina no fim de uma recessão cíclica da economia, após um aperto monetário, em que o mercado de ações experimentou uma queda nos meses precedentes. Em outro polo, eles afirmam: &#8220;<em>não é o melhor momento, pois já houve o rali de ações</em>&#8220;. Esta atitude normalmente predomina quando começa um afrouxamento monetário, seguido por uma recuperação econômica, quando ocorre um rali do mercado de ações por alguns meses, causado pela melhora do sentimento do investidor.</p>
<p style="text-align: justify;">Relutância é o traço comum em ambas situações, por si já sendo nocivo para uma estratégia de investimento. Se ainda for acompanhado pelo curto-prazismo, representado pela busca por adivinhar o <em>timing</em> adequado do mercado, que é o que predomina, os efeitos podem ser desastrosos. É a atitude de &#8220;correr atrás do rabo&#8221;. No final, a grande maioria dos investidores em ações acaba por vender (ou resgatar de fundos) num momento de pânico, e comprar (ou investir em fundos) num momento de euforia, como as evidências demonstram. Pior, quanto mais forte a queda, maior o volume de venda (e resgates de fundos); e quanto mais forte a alta, maior o volume de compra (e de novos aportes em fundos). É o inverso do comportamento racional de &#8220;comprar barato e vender caro&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">O alento é que esta armadilha mental, comum a todo ser humano, tanto no Brasil como nos principais mercados do mundo, é devidamente explicada por finanças comportamentais. Mas só pode ser evitada utilizando-se das seguintes ferramentas de autocontrole comportamental: fazer uma clara escolha da estratégia de investimento a seguir; ter disciplina em mantê-la; e ter um horizonte de investimento de longo prazo.</p>
<p style="text-align: justify;">A seguir, abordaremos estas questões em detalhe.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"><strong>Cuide do comportamento em primeiro lugar</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Fatores comportamentais são os que mais prejudicam o retorno de um investidor num fundo de ações. Uma ampla pesquisa<a href="#1"><sup></sup></a>concluiu que investidores em fundos de ação acabam tendo retornos piores do que o próprio fundo por três razões: resgatam no pânico, investem na euforia e tentar fazer <em>market timing</em> (resgatam quando acham que o mercado cairá nos meses subsequentes e investem quando acham que o mercado subirá adiante). É a chamada defasagem de comportamento (<em>behavior gap</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">A pesquisa analisou 7.125 fundos de ações norte-americanos durante o período 1991-2004. Em seguida, calculou o retorno médio dos investidores desses fundos com base no seu fluxo de caixa específico (fluxos de investimento e resgate no fundo ao longo do tempo), comparando-os com o retorno do fundo em si em bases equivalentes. Considerando os 1.902 fundos que tiveram uma performance superior à do mercado, o resultado mostrou que o retorno dos investidores foi, na média, inferior ao do fundo numa magnitude equivalente a 92% do alfa, ou a parcela do retorno do fundo que excedeu o retorno do mercado. Ou seja, dos 3,3 p.p. de retorno anual acima do mercado obtido por esses fundos, 3,1 p.p. foram perdidos pela defasagem de comportamento, fazendo com que o retorno do investidor ficasse praticamente igual ao do mercado (Figura 1)<a href="#1"><sup></sup></a>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 1:</strong> Defasagem de comportamento dos fundos com performance superior à do mercado (% a.a.)</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16972 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-01.jpg" alt="" width="585" height="237" /></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;">Nota: No período de 13 anos analisados, o retorno acumulado dos fundos que superaram o mercado foi de 341,44%, comparado com 206,58% dos investidores desses fundos. Ou seja, os investidores deixaram de ganhar 134,86%. Traduzindo em números, para um investimento inicial de US$1.000, o investidor que permaneceu no fundo teve um saldo final de USD 4.414,40, comparado com US$ 3.065,80 do investidor médio, que, portanto, deixou de obter um ganho de USD1.348,60. Fonte: Pesquisa mencionada na nota 3 de rodapé abaixo e Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Isso reflete três vieses humanos <a href="#1"><sup></sup></a>. Um é o viés do calor do momento (<em>empathy gap</em>): quando estamos sob forte influência de uma circunstância, agimos de forma visceral (pânico, euforia, fome, sede, raiva, etc.), o extremo oposto da decisão racional. Pesquisadores<a href="#1"><sup></sup></a> formularam a seguinte situação: três pessoas, fazendo uma trilha, estavam perdidas na mata sem alimento nem água. De qual dos dois sentiriam mais falta? A pergunta foi feita a dois grupos diferentes numa academia: pessoas que acabaram de fazer exercícios aeróbicos intensos (que causam sede e calor) e as que estavam prestes a iniciá-los. O primeiro grupo respondeu que os perdidos na mata sentiriam mais falta da água (92% dos respondentes) do que o segundo grupo (52% dos respondentes).   Deste viés resulta a forte tendência de as pessoas resgatarem de um fundo de ação num momento de pânico e investirem num momento de euforia.</p>
<p style="text-align: justify;">O segundo é o viés da extrapolação, que nos leva a perpetuar aquilo que observamos ou experimentamos no passado recente, de forma linear. Assim, tendemos a investir num determinado fundo cujo retorno foi positivo nos meses anteriores e resgatar desse fundo se seu retorno foi negativo nos meses antecedentes.</p>
<p style="text-align: justify;">O terceiro é o viés da ilusão do controle: achamos que exercemos um controle sobre as coisas maior que a realidade. Isso é demonstrado num singelo experimento. Psicólogos<a href="#1"><sup></sup></a> ofereceram vender um bilhete de loteria que tinha uma chance de ser sorteado de 1-50, ou 2%. Perguntaram quanto as pessoas estavam dispostas a pagar. Num primeiro caso, o bilhete seria entregue à pessoa, tendo sido escolhido pelo pesquisador. O preço médio oferecido foi de US$ 1,96. No segundo, a pessoa poderia escolher o número. O preço médio foi de US$8,67. Ou seja, apesar de a probabilidade de ganho ser a mesma em ambos os casos, as pessoas dispuseram-se a pagar 4,4 vezes mais quando tiveram &#8220;o controle&#8221; de escolher o seu &#8220;número da sorte&#8221;. Esse viés é o que provoca o desejo de adivinhação do <em>market timing</em>.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"><strong>&#8220;Não é o melhor momento: o CDI ainda está alto e a economia em recessão&#8221;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Decidimos testar a afirmação acima, que geralmente predomina após um aperto monetário, quando ocorre uma desaceleração econômica. Consideramos duas modalidades de investimento: uma em ações, usando para isso o Ibovespa; e outra em CDI. Definimos como os momentos de investimento aqueles em que predominou um CDI &#8220;alto&#8221;: após um aperto monetário e antes de começar um afrouxamento de juros pelo Banco Central, desde 1997 (sete zonas de investimentos, ilustradas pela Figura 2). Em seguida, para cada um dos sete momentos de investimento, calculamos o retorno das duas modalidades &#8211; CDI e ações &#8211; nos períodos de 6, 12, 18 e 24 meses subsequentes. Calculamos então a média dos retornos das duas modalidades nos sete períodos de investimento. A conclusão foi que, na média, o retorno em ações superou o retorno em CDI em todas as quatro janelas de tempo subsequentes (Figura 3). E por uma larga margem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 2</strong>: Ibovespa vs. CDI (pontos e % a.a.)</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16973 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-02-1.jpg" alt="" width="757" height="314" /><span style="font-size: 10pt;">Nota: área cinza representa períodos do pico do CDI.</span><br />
<span style="font-size: 10pt;"> Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 3</strong>: Média de retornos dos sete períodos de investimento a partir de momentos de CDI “alto” (% no período)</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16974 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-03-1.jpg" alt="" width="544" height="278" /></p>
<p><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Fizemos o mesmo para períodos de CDI &#8220;baixo&#8221;, ou seja, momentos posteriores a um afrouxamento monetário e antes de começar uma alta de juro pelo Banco Central (oito períodos de investimento, ilustrados na Figura 4). Em conclusão, a média do retorno em ações não se mostrou significativamente superior ao do CDI, tendo havido momentos em que ele até foi inferior (Figura 5).</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 4</strong>: Ibovespa vs. CDI (pontos e % a.a.)</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16975 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-04-1.jpg" alt="" width="786" height="332" /><span style="font-size: 10pt;">Nota: área cinza representa períodos do piso do CDI. Fonte Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 5</strong>: Média de retornos dos sete períodos de investimento a partir<br />
de momentos de CDI “baixo” (% no período)</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16765 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/lab212/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-05.jpg" alt="" width="515" height="273" /></p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16976 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-05-1.jpg" alt="" width="515" height="273" /><span style="font-size: 10pt;">Fonte Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas por que este resultado contraintuitivo? A resposta está na essência da teoria de<em> value investing</em>: em momentos de CDI &#8220;alto&#8221; e recessão, o pêndulo do sentimento do investidor tende a estar mais próximo do extremo do pânico (figura 6), em que predomina o medo. É quando tende a haver um grande número de empresas com robustas margens de segurança (seu preço substancialmente inferior ao seu valor, Figuras 7 e 8)<a href="#1"><sup></sup></a>. Como consequência, uma melhora de sentimento tende a fazer o pêndulo se afastar do extremo de pânico, provocando uma forte alta do mercado de ações, numa magnitude muito superior ao retorno do CDI, mesmo este estando &#8220;alto&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Inversamente, quando o CDI está &#8220;baixo&#8221;, e a economia em algum grau de recuperação, o pêndulo do sentimento do investidor pode se aproximar da euforia, havendo um menor número de empresas com atrativa margem de segurança para se investir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 6:</strong> Pêndulo do sentimento do investidor</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16977 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-06-1.jpg" alt="" width="469" height="227" /><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 7</strong>: Preço e valor</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16978 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-07.jpg" alt="" width="461" height="267" /></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 8:</strong> Margem de segurança</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16979 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-08.jpg" alt="" width="485" height="261" /><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"><strong>&#8220;Não é o melhor momento: já houve o rali de ações&#8221;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">A análise anterior significa que, com o CDI baixo e após um rali inicial de ações, este mercado deixa de ser atrativo? A resposta depende da estratégia de investimento. Se ela for a de fazer<em> market timing</em> e de horizonte de curto prazo, provavelmente, uma vez que não serão mais todas as empresas do mercado que verão seus preços subirem, independentemente de seu fundamento. Mas se a estratégia for de <em>value investing</em>, e, naturalmente, com um horizonte de longo prazo, as oportunidades sempre existirão, desde que haja dois elementos indispensáveis: paciência de esperar a oportunidade aparecer, e disciplina de se investir apenas onde há margem de segurança. Tomemos dois exemplos de nossos investimentos atuais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #00b0f0; font-size: 14pt;">Caso Itaú</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O primeiro exemplo é o de Itaú, uma empresa que consideramos ser de alta performance há décadas. Por isso, ela tem criado valor sustentavelmente no tempo, proporcionando ao acionista retornos do investimento acima do CDI, independentemente da condição de mercado. A Figura 9 mostra o retorno médio anual composto da ação da instituição em janelas de 5, 10, 15 e 20 anos até o presente, comparado com o retorno do CDI. A Figura 10 mostra o alfa, ou retorno excedente, em relação ao CDI. Em síntese, independente do momento de mercado específico, a boa empresa que gera valor sustentavelmente no tempo tende a apresentar retornos atrativos ao investidor.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 9:</strong> Retorno médio anual composto (% a.a.)</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16980 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-09.jpg" alt="" width="438" height="279" /><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Bloomberg e Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 10:</strong> Alfa¹ do retorno da ação vs. (% a.a.)</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16981 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-10.jpg" alt="" width="467" height="257" /><span style="font-size: 10pt;">Nota: 1. Parcela do retorno que excedeu o CDI.</span><br />
<span style="font-size: 10pt;"> Fonte: Bloomberg e Cardinal Partners.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #00b0f0; font-size: 14pt;">Caso Totvs</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O segundo exemplo é de uma oportunidade de investimento que apareceu durante um rali de mercado: Totvs. É uma empresa que, em nossa opinião, desfruta de sólidas vantagens competitivas e tem feito importantes movimentos estratégicos, que deverão criar valor nos próximos anos. Em particular, destacamos a compra de Bematech, que, ao contrário do consenso de mercado, entendemos ter sido uma rara oportunidade estratégica de fortalecer suas vantagens competitivas. Porém, por estar em transição de um modelo de negócio baseado em licença para outro baseado em subscrição, sua receita e seu lucro vêm sofrendo uma piora, que perdurará até pelo menos 2018. Para nós, isso não é problema, pois nosso horizonte é de longo prazo.</p>
<p style="text-align: justify;">Num contexto de rali de mercado iniciado no primeiro trimestre de 2016, o preço da ação de Tot<em>vs</em> apresentou um retorno bem inferior ao do mercado. Em adição, no fim daquele ano, houve dois catalisadores negativos: o resultado do terceiro trimestre foi divulgado, sendo pior que o consenso de mercado; e a ação foi retirada do índice MSCI Latam, provocando volumes de venda adicionais por razões técnicas<a href="#1"><sup></sup></a>. Em consequência, o preço da ação despencou cerca de 30% em 30 dias (Figura 11). O pêndulo do sentimento do investidor, em nosso julgamento, se aproximou do extremo negativo. Para nossa estratégia de investimento, isso gerou uma atrativa margem de segurança, já que nenhum dos dois catalisadores alterou o valor que atribuíamos à empresa. Como consequência, decidimos investir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 11:</strong> Retorno da ação vs. IBX 100 (pontos)</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16982 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-11.jpg" alt="" width="739" height="376" /><span style="font-size: 10pt;">Fonte: Bloomberg.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #002142; font-size: 18pt;"><strong>Não existe o melhor momento, e sim a melhor estratégia</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Como demonstramos, a tentativa do investidor de adivinhar o melhor momento para investir em ações é uma receita quase certa para incorrer em perdas.  O bom caminho é escolher uma estratégia e mantê-la ao longo do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em nossa visão, existem essencialmente dois estilos de estratégia de investimento em ações distintos e excludentes: o de <em>market timing</em> e o de <em>value investing</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">A estratégia de <em>market timing</em> tem como foco adivinhar a direção do mercado de ações nos meses seguintes, investindo em ações que subam mais que o mercado, caso o investidor espere que este suba; ou investir em ações que caiam menos que o mercado, caso ele espere que este caia. Seu horizonte de investimento é geralmente de um a dois meses. Grande parte do tempo e da energia deste investidor é direcionada para o curto prazo. Há um obsessivo escrutínio do retorno diário: o gestor do fundo precisa explicar por que seu retorno foi pior que o de mercado no dia anterior e o que ele pretende fazer para evitar que isso continue no dia seguinte. Os fatores relevantes para sua decisão de investimento incluem: fluxo de fundos, sentimento de mercado, rumores e especulações, expectativas do próximo resultado trimestral das empresas, e notícias diárias que &#8220;mexam com o mercado&#8221;, mesmo que sejam efêmeras ou inócuas para os fundamentos das empresas. O viés do calor do momento tende a estar presente fortemente: por um lado, ele é movido pela sensação de que é preciso comprar uma ação que esteja em alta com rapidez, do contrário perder-se-á a oportunidade de ganho, mesmo que a ação esteja cara (seu preço acima do seu valor); por outro, há uma predisposição de vender uma ação cujo preço vem caindo, como se fosse uma ”batata quente”, e seus fundamentos estivessem evaporando. Num momento de pânico, este investidor tende a fazer vendas fortes, enquanto num momento de euforia ele tende a comprar agressivamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa estratégia tende a desincentivar o investimento numa empresa fora do consenso, pois predomina o viés corporativo: se o gestor do fundo fizer um investimento oposto ao consenso e errar, pode ser demitido, e seu fundo pode sofrer resgates; se ele estiver certo e o retorno do seu fundo for superior ao do mercado, ele receberá um “tapinha nas costas” e eventualmente seu bônus será um pouco melhor. Portanto, pessoalmente para ele, este risco é assimetricamente negativo, sendo melhor ter um portfólio de ações parecido com os índices de mercado, seguindo a manada e garantindo sua zona de conforto.</p>
<p style="text-align: justify;">A estratégia de <em>value investing</em> tem como foco investir em empresas cujo preço esteja suficientemente abaixo do seu valor, ou seja, com margem de segurança. Grande parte do tempo e da energia deste investidor é direcionada para analisar fatores associados a seus fundamentos: sua estratégia de negócio, suas vantagens competitivas, a qualidade dos executivos, a dinâmica de governança corporativa, e o ambiente competitivo. Esse esforço tem como objetivo estabelecer o valor atribuído à empresa, que tende a mudar pouco ao longo do tempo, dado que tais fundamentos não mudam toda hora, muito menos em função de um resultado trimestral. Seu horizonte de investimento é necessariamente de longo prazo (vários anos), já que os ciclos econômico, setorial e específico da empresa demoram para maturar e fazer com que o preço da ação convirja para seu valor. Não raro, esta estratégia leva a investimentos fora do consenso. Decisões de investimento, nesta estratégia, não levam em consideração índices de mercado, mas sim oportunidades individuais. Num momento de pânico, este investidor tende a comprar, e num momento de euforia, a vender.</p>
<p style="text-align: justify;">Dois talentos são particularmente requeridos nesta estratégia. O primeiro é a paciência para esperar o momento atrativo de investir; ou, uma vez feito o investimento, saber esperar até o preço convergir para seu valor, proporcionando retornos atrativos. O segundo é a disciplina, investindo apenas quando há margem de segurança e desinvestindo quando seu preço esteja acima do seu valor, mesmo que tal ação esteja numa tendência de alta de preço e ela seja a &#8220;queridinha&#8221; do mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é a estratégia que seguimos na Cardinal Partners por acreditarmos ser esta a maneira adequada se se investir em ações. A mentalidade que entendemos ser apropriada para isso é a de poupança de longo prazo, ou de investimento previdenciário. Isso porque boas empresas geram valor sustentavelmente no tempo, por anos e até décadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Finanças comportamentais são um elemento fundamental do nosso processo de investimento. Buscamos entender e minimizar os riscos associados aos vieses humanos. Essa é a parte mais desafiadora, como aqui discutimos.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem esta disciplina, quando o preço de uma ação despenca, a reação será: <em>&#8220;O que não estou vendo? O mercado deve saber de alguma coisa nova sobre a empresa que eu ainda não sei&#8221;</em>. E se o preço da ação não para de subir, já tendo em muito superado seu valor, o investidor dirá:  <em>&#8220;Acho que minhas premissas estão conservadoras, pois o mercado está chancelando um cenário mais benigno&#8221;</em>. E assim, perde-se a oportunidade de comprar barato e vender caro. Mas, buscando o autocontrole do comportamento, chegamos ao momento do investimento com convicção, chave para uma estratégia bem-sucedida.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Figura 12:</strong> Ilustração do viés do calor do momento</p>
<p style="text-align: left;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-16983 size-full" src="https://cardinalpartners.com.br/wp-content/uploads/2017/04/graficos_carta9-12.jpg" alt="" width="461" height="237" /><span style="font-size: 10pt;">Fonte: RICHARDS, Carl. The Behavior Gap. Portfolio/Penguin, 2012, p. 10 e Cardinal Partners.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;">Maio de 2017<br />
</span><strong><span style="color: #002142; font-size: 14pt;">Marcelo Audi</span></strong></p>
<hr />
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"></a></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn1"></a> Em 2008.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn2"></a> CROSBY, Daniel. <em>The Laws of Wealth: Psychology and the secrets of investing success</em>. Harriman House, 2016, Part One, Rule #1</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn3"></a> FRIESEN, Geoffrey C. e SAPP, Travis R. A., <em>Mutual fund flows and investor returns: an empirical examination of fund investor timing ability. </em>Journal of Banking &amp; Finance, vol. 31, 2007.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn4"></a> O retorno do índice S&amp;P500 neste período foi de 8,8% a.a. (cálculo da Cardinal Partners) e o retorno excedente dos fundos com desempenho superior ao do mercado, de 3,3% a.a. (cálculo da pesquisa), portanto totalizando 12,1% a.a.. Assim, a defasagem de comportamento média dos investidores dos fundos foi de 3,1% a.a., ou 92% do retorno excedente desses fundos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn5"></a> Na Carta Cardinal 6 (<em>“Oh Yeah! Oh No!”</em>) apresentamos uma discussão adicional sobre os vieses humanos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn6"></a> LOEWENSTEIN, George. <em>Health Psychology</em>. <em>Hot-Cold Empathy Gaps and Medical Decision Making</em>. Health Psychology, 2005, vol. 24, no. 4 (Suppl.), S49-S56.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn7"></a> HAISLEY, Emily; MOSTAFA, Romel and LOEWENSTEIN, George. <em>Subjective Relative Income and Lottery Ticket Purchases</em>, 2008, Journal of Behavioral Decision Making, vol. 21, 283-295.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn8"></a> Em nossa definição, preço é uma medida do sentimento do investidor num dado instante, enquanto valor é uma medida da capacidade de geração de lucro distribuível ao longo do tempo (Figura 7).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt;"><a href="#1" name="_ftn9"></a> Fundos indexados e ETFs precisaram se desfazer da ação para se enquadrarem.</span></p>
<p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7"></a></div>
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